Por que ‘Holocausto’?

Gado irlandês sendo transportado para a Turquia; viagem dura 12 dias e os animais ficam encharcados de fezes e urina (Foto: Animals International)

“Holocausto” tem origem na palavra grega holókauston (olos = todos; kaustos = queimados). Termo habitualmente usado na Bíblia [Gênesis 22:2 e Isaías 1:11], um “holocausto” representa nesse contexto a morte (sacrifício) de animais (queimados) para Deus.

O Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa 3.0 indica o substantivo como: 1) sacrifício, praticado pelos antigos hebreus, em que a vítima era inteiramente queimada, e 4) massacre de judeus e de outras minorias.

Assim, em seu sentido original mais genérico, a palavra “holocausto” é utilizada como forma de referência a grandes massacres ou várias mortes. Portanto, a perseguição de Hitler aos judeus e seu extermínio acabaram se encaixando no termo. Mas não há na linguagem humana uma palavra exclusiva ao massacre dos judeus.

O blog O Holocausto Animal recebe tal título porque de fato existe um massacre aos animais não humanos atualmente — mais de 150 bilhões são mortos por ano na pecuária e 100 milhões em experimentos. Isso representa mais mortes do que em todas as guerras em toda a história da humanidade.

Nós, autores deste blog, por si mesmos, evitamos a comparação entre o “holocausto judeu” e o “holocausto animal”, mas não hesitamos em citar correlações feitas pelos próprios judeus. Com a palavra, Isaac Bashevis Singer, judeu e Nobel de Literatura em 1978:

“O que eles sabem — todos esses acadêmicos, todos esses filósofos, todos os líderes do mundo? Eles convenceram a si próprios que o homem, o pior transgressor de todas as espécies, é a coroa da criação; que todas as outras criaturas foram criadas meramente para nos prover comida, peles e para serem atormentadas e exterminadas. Em relação a eles [animais], todos os humanos são nazistas. Para os animais, é uma eterna Treblinka.” [em The Letter Writer apud PATTERSON, Charles. Eternal Treblinka: Our Treatment of Animals and the Holocaust. New York: Lantern Books, 2002, epígrafe]

10 de dezembro de 2017


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