Solidão e estresse no Zoológico de Piracicaba

Investigação feita pelo grupo MUDA (Ética, Justiça e Direitos Animais) revelou condições miseráveis no Zoológico Municipal de Piracicaba, que fica no interior de SP. Os fatos contradizem a ideia de que zoológicos “já foram ruins” ou que os animais “não sofrem” nestes locais.

Macacos sob estresse no Zoológico de Piracicaba. (Foto: Alex Peguinelli)

Macacos vivem sob estresse no Zoológico de Piracicaba. (Foto: Alex Peguinelli)

Os vídeos e imagens deste artigo foram feitos no Zoológico Municipal de Piracicaba, no final do ano de 2015. Eles fornecem evidências de que o discurso dos apoiadores dos zoológicos é bastante inflado e um tanto inverídico. Uma breve visita ao recinto é capaz de constatar estresse, confinamento e depressão de muitos animais.

Alerta do próprio zoológico diz que os animais podem ficar estressados com o público.

Alerta do próprio zoológico diz que os animais podem ficar estressados com o público.

Zoológicos mantêm animais presos sob a alegação de que eles ensinariam aos seres humanos o real valor da natureza, dizendo que seguem todo o tipo de tratamento “humanitário”. Entretanto, enjaular animais com intuito supostamente educacional é violar o interesse destes seres, que desejam viver em liberdade e também exercer seus comportamentos naturais, o que acaba não sendo possível em ambientes artificiais como zoológicos.

Placa alerta que os macacos vivem sob estresse constante. (clique na imagem para ampliar)

Placa alerta que os macacos vivem sob estresse constante. (clique na imagem para ampliar)

A angústia dos animais no Zoológico de Piracicaba pode ser facilmente constatada no comportamento repetitivo do animal Irará. O animal anda de um lado para o outro, sem rumo e em meio ao sol escaldante.

As Emas, aves de grande porte, também ficam restritas a um espaço bastante limitado e entediante, que levaria qualquer ser humano à loucura nas mesmas condições. Para termos uma ideia da verdadeira prisão em que vivem, as emas podem correr até 80 km/h, vivendo em bandos em regiões abertas. Em um zoológico, a expressão desse comportamento natural é inviável do ponto de vista da engenharia.

Mas o leitor poderia se perguntar: o que nós fazemos então com animais vítimas de maus tratos, como circos ou tráfico ilegal? Bem, de fato, animais vítimas de maus tratos precisam de cuidados, mas zoológicos, em seu modelo atual, são um destino miserável. Para estes casos, tais animais devem ser cuidados em locais afastados de grandes cidades, sem contato com o público, para que possam ser eventualmente reinseridos no habitat natural. Nesse sentido, santuários são a melhor opção. Em outras situações, torna-se injustificável o confinamento.

Animais vivem em meio à poluição da cidade. (Foto: Alex Peguinelli)

Animais vivem em meio à poluição da cidade. (Foto: Alex Peguinelli)

Hoje vivemos a sexta grande extinção, ocasionada pelo homem, apesar dos centenas de zoológicos espalhados pelo mundo. Logo, se trata de uma escolha: o que nós preferimos? Investir em programas de preservação do ambiente natural, incentivando a população a parar de consumir animais, reduzindo assim o desmatamento e a extinção dos animais, ou continuar construindo jaulas e gaiolas, com a falsa justificativa de que elas estariam preservando espécies?

O bom senso é capaz de responder facilmente a questão levantada.

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