Documentário revela interior do maior laboratório de macacos da Europa

A equipe de TV europeia Vice News conseguiu permissão para filmar as práticas internas do Biomedical Primate Research Center (BPRC), o maior centro de laboratório de primatas não-humanos de toda a Europa.

Imagem: Reprodução.
Imagem: Reprodução.

O documentário é um curta-metragem investigativo, que expõe as práticas laboratoriais mais comuns do BPRC. Nele, primatas são infectados com vírus mortais, na esperança de uma possível cura para doenças humanas.

A repórter da equipe entrevistou os trabalhadores do local, desde a área de treinamento dos animais, para que eles não resistam aos testes, até o departamento de alternativas, que visa substituir os macacos por modelos in vitro.

“Ainda são gaiolas... Há animais que não suportam essa condição.”  – Jan, coordenador de pesquisas do BPRC.
“Ainda são gaiolas… Há animais que não suportam essa condição.”
– Jan, coordenador de pesquisas do BPRC.

Curiosamente, os próprios trabalhadores do local assumem que o confinamento laboratorial nunca será a condição ideal para os animais; muitos deles, inclusive, não o suportam e acabam sendo sacrificados. Uma das funcionárias relata a dificuldade emocional de lidar com a separação dos macacos, que são retirados do centro de reprodução para serem enviados ao confinamento do laboratório.

“Por saber o motivo de usá-los, e realmente sentir que isso é a coisa certa, então eu posso lidar com isso.”  – Annete, funcionária do BPRC
“Por saber o motivo de usá-los, e realmente sentir que isso é a coisa certa, então eu posso lidar com isso.”
– Annette, funcionária do BPRC.

Evidentemente, o mecanismo psicológico envolvido aqui é muito semelhante ao argumento utilizado para justificar os piores massacres da história: sabemos que é moralmente errado, mas estamos fazendo isso pelo “bem da humanidade”. Ou seja, em nome de um suposto benefício futuro, torturas são justificadas.

O confinamento em jaulas minúsculas enlouquece os macacos.
O confinamento em jaulas minúsculas enlouquece os macacos.

Mesmo sem progressos significativos com o modelo animal, o documentário chega a afirmar o oposto, relatando que já tivemos “grandes avanços” com a experimentação animal, apesar de desdizer isso ao final do vídeo.

“Ninguém quer continuar fazendo experiências com animais.”  - Jeffrey, chefe do departamento de alternativas.
“Ninguém quer continuar fazendo experiências com animais.”
– Jeffrey, chefe do departamento de alternativas.

Jeffrey trabalha para desenvolver alternativas ao uso de animais. O objetivo é imitar o organismo de um primata em um prato de laboratório, para que, um dia, se abandone o uso dos animais. No entanto, estranhamente, as alternativas desenvolvidas no BPRC não se baseiam no organismo humano, mas sim na metabolização de macacos rhesus ou saguis. Em outras palavras, é como se estivéssemos empenhados em desenvolver métodos no qual o objetivo final não é imitar a espécie que queremos curar, mas sim outra – e ainda assim seria necessário tentar extrapolar os dados de um “macaco” in vitro para humanos. Um equívoco metodológico gravíssimo, uma vez que, de maneira óbvia, temos que estudar humanos para curar humanos. Não se estuda macacos quando você quer curar um cavalo.

Macaco foi infectado com dengue pela primeira vez; outros são infectados com SIV, uma variação do HIV, que é específico de humanos – macacos são imunes a ele e não desenvolvem AIDS.
Macaco foi infectado com dengue pela primeira vez; outros são infectados com SIV, uma variação do HIV, que é específico de humanos – macacos são imunes a ele e não desenvolvem AIDS.

Abaixo você pode conferir o documentário completo, com legendas em PT-BR no player. Clicando aqui você entenderá as razões éticas e científicas para acabarmos com os testes em animais.

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Uma resposta para “Documentário revela interior do maior laboratório de macacos da Europa”

  1. Além da “escorregada” da apresentadora ao afirmar que os testes em animais trouxeram avanços para a AIDS (o que não é verdade, pois mais de 100 vacinas contra HIV funcionaram em primatas), a vacina contra a pólio não foi fruto da experimentação animal, pelo contrário, pelos testes com macacos pensava-se que a pólio se alojava no nosso corpo pelo nariz, mas depois se descobriu que em humanos o vírus se aloja no intestino.

    O erro do macaco atrasou em cerca de 40 anos a vacina contra a pólio. O Dr. Ray Greek explica bem aqui:
    https://oholocaustoanimal.wordpress.com/2015/05/23/medico-explica-por-que-testes-em-animais-nao-funcionam/

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