‘Era um olhar de liberdade’, afirma casal que adotou beagle resgatada do Instituto Royal

Hoje, dia 18 de outubro de 2014, faz exatamente um ano que os animais foram resgatados do Instituto Royal, que realizava testes de cosméticos e de produtos de limpeza em São Roque (SP). Já tivemos conhecimento de que os animais resgatados hoje estão bem de saúde; mas essa é uma realidade conquistada após o resgate.

Beagle estava com uma série de traumas psicológicos.
Beagle estava com traumas psicológicos

Entrevistamos no dia 24 de setembro deste ano (2014) uma pessoa que adotou um dos 178 beagles resgatados do Instituto Royal. Apelidada de Ramona, a beagle foi adotada por um casal no ano passado, que nos contou todas as dificuldades enfrentadas diante dos traumas presentes em Romana.

A identidade da entrevistada será preservada para fins de privacidade.

“É difícil explicar o olhar dela quando chegou em casa. Era um olhar perdido, mas no fundo, era um olhar de liberdade.”

Como vocês ficaram sabendo das pesquisas do Instituto Royal?

Nós ficamos sabendo através das redes sociais. Não participamos do resgate, mas tínhamos um amigo que havia ficado com alguns cães. Foi quando decidi adotar um. Fui até a casa desse amigo com a minha mulher. Ao chegarmos no local havia dois beagles, a Romana e o Bartolomeu. O Bartolomeu estava com as orelhas cortadas. Eram cortes bem fundos. Além disso, estava faltando um pedaço da sua língua.

Já a Ramona, aparentemente, estava ‘bem’, sem nenhum machucado aparente. Decidimos ficar com ela – por ser fêmea, a convivência com meus gatos seria mais fácil.

É difícil explicar o olhar dela quando chegou em casa. Era um olhar perdido, mas no fundo, era um olhar de liberdade. Na primeira noite, ela fez uma bagunça enorme. Corria de um lado para o outro e derrubava tudo que via pela frente. Ficava bem ansiosa ao chegar perto dos gatos. Ela não quis deixar-nos dormir, por conta disso, minha mulher teve que dormir com ela no chão.

Beagle

“Ela não suporta ouvir a voz de homens. Ela começa a tremer, babar e se isola. Ela nunca deixou nenhum homem fazer carinho nela; sempre fugindo.”

Quais eram as condições físicas e emocionais dos beagles resgatados?

Pelo o que eu conheço hoje da Ramona, imagino que foi um susto muito grande para ela. O dia-a-dia dos animais dentro do Instituto Royal já era estressante por si próprio, pois ela chegou até nós com muitos traumas psicológicos que tentamos tratar até hoje.

A Ramona chegou com anemia, com uma otite horrível e um cheiro muito forte da inflamação. A anemia passou, mas a otite continuou por muito tempo. Voltei à veterinária e conseguimos curar a otite dela através de medicação. Ela sofreu muito com essa inflamação, coçava o ouvido desesperadamente. As suas unhas eram rachadas, devido aos produtos utilizados no Instituto.

Com mulheres, ela até consegue chegar mais perto. Mas com homens, não. Ela não suporta ouvir a voz de homens. Ela começa a tremer, babar, se isola ou quando não, fica andando de um lado para o outro, desesperada. Ela nunca deixou nenhum homem fazer carinho nela; sempre fugindo. Nos passeios diários que faço com ela, qualquer barulho já é motivo para tentar fugir, se algum homem tenta se aproximar dela, ela imediatamente corre. Quando tem visita em casa – homens – o comportamento dela sempre é o mesmo. Ouve a voz e vai para o canto dela, fica atenta, começa a babar e tremer.

Hoje a beagle desfruta a liberdade - assim deve ser com todo e qualquer animal. Eles não são equipamentos de laboratório.
Hoje a beagle desfruta a liberdade

Qual é a situação atual da Ramona?

Ela é extremamente carente e brincalhona. Ela passa o dia inteiro brincando com meus gatos e com o outro irmãozinho dela. E algo muito interessante é o fato de que é muito difícil ela latir. É raro a ouvir latindo ou rosnando. Ela não late ou rosna para nenhum outro cachorro. Sempre quando isso acontece, é entre ela e os meus gatos brincando.

Mas o que importa é que agora ela está em um lar com muito amor, com muitos irmãos para brincar. Ela é o maior presente da minha vida. Se um dia eu tiver que devolver ela perante a legislação, ela só sairá de casa comigo no caixão.

Hoje é a data do aniversario dela: 18 de outubro, o dia em que ela nasceu de novo.

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3 respostas para “‘Era um olhar de liberdade’, afirma casal que adotou beagle resgatada do Instituto Royal”

  1. Estou fazendo um trabalho sobre o movimento de proteção aos animais, e ler uma coisa dessas me faz ficar emocionada e feliz.

  2. Chorei ao ler essa história com um LINDO final FELIZ! parabéns pela iniciativa, se todos começassem a pensar e ter amor como vocês, o mundo seria melhor. Os animais também tem sentimentos assim como nós.

  3. Sinceramente, tem muitas pessoas que me parecem ser IRRACIONAIS, não consigo acreditar como se alastram tamanha crueldade, não conseguem ter um pingo de amor, cometem absurdos, isso me causa INDIGNAÇÃO!!! Só tenho a agradecer por existirem casais como vocês por se compadecerem, e abraçarem essa causa em ajudar aos animais, que me parecem ser muito mais racionais que nós humanos. Me emocionei ao ler, agradeço a vocês por darem um lar e a oportunidade a Romana de viver uma vida feliz. E de coração, Deus abençoe o casal!!!!

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