Há mais sofrimento num copo de leite ou em um bife?

Embora alguns comedores de carne não queiram admitir (ou ouvir sobre isso), é de amplo conhecimento que o processo para a produção de carne envolve grande sofrimento animal. Mas os vegetarianos já entendem o porquê não devemos comer vacas: elas são seres sencientes e merecem uma vida feliz, tanto quanto nós.

Apesar disso, muitos de nós continuamos a consumir laticínios, pois pensamos que as vacas não são mortas para a produção de leite ou queijo, assim, estaria tudo bem consumir esses produtos. Eu mesmo já acreditei nesse mito, pensando que, se o animal não precisasse morrer para “dar” o leite, então eu não deveria ser vegano – seria muito “radical”.

Mas a verdade é que as vacas leiteiras levam vidas terríveis, cheias de tristeza, dor e sofrimento. A indústria de laticínios promove a morte não somente quando os bezerros viram vitela, mas o destino de toda vaca leiteira é o abate. Com tudo isso em mente, temos que nos perguntar: “Existe mais crueldade em um copo de leite ou em um pedaço de bife?”

Jo-Anne McArthur/We Animals

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A vida de um “Bife”

Nascimento

Os bovinos criados pela indústria da carne são separadas de suas mães bem cedo, embora não tão rapidamente como os filhotes da indústria de leite. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca, dos Estados Unidos, “a prioridade da produção de carne é criar o maior número de bezerros o mais rápido possível”.

Isso significa que os bezerros são desmamados completamente em torno de sete a oito meses, o que dá a vaca tempo necessário para que ela “se recupere após o desmame”.

Jo-Anne McArthur/We Animals

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Vida útil

Naturalmente, as vacas podem viver até 25 anos de idade, mas as vacas criadas para a indústria de corte geralmente são abatidas com 1 a 3 anos de idade.

Durante os primeiros seis meses, a vaca passa seu tempo no pasto. De acordo com a ASPCA (Sociedade Americana para a Prevenção da Crueldade a Animais), as vacas são os únicos animais da pecuária que passam boa parte de suas vidas ao ar livre. Após este período de seis meses (às vezes pode chegar até um ano), a vaca é então transferida para o confinamento com centenas ou milhares de outras vacas. Aqui, suas mudanças alimentares, voltadas para o consumo excessivo de grãos, podem causar problemas digestivos, dor crônica e até mesmo a morte. A vaca (ou boi) da indústria de corte viverá nessas condições até que atinja o peso de abate.

Jo-Anne McArthur/We Animals

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Bebês

Na indústria da carne, a maioria dos bovinos destinadas ao abate não são separadas de suas mães.

Tratamento

Há muitas práticas comuns nas fazendas industriais que seriam consideradas crimes se fossem cometidas contra os nossos animais domésticos.

Bezerros machos são castrados em tenra idade, “para melhorar a qualidade da carne”. Um dos métodos inclui a remoção cirúrgica dos testículos com um bisturi, “esmagando o cordão espermático com uma pinça, para que o fluxo sanguíneo seja interrompido, até que os testículos caiam”. Independentemente do método utilizado, analgésicos raramente (ou nunca) são fornecidos ao boi, que permanece com dor por vários dias.

Além da castração, as vacas são submetidas a marcação com ferro quente. O ferro a cerca de 510 ºC é pressionado sobre a pele das vacas por vários segundos enquanto elas são mantidas imobilizadas, sem a administração de nenhum analgésico.

Jo-Anne McArthur/We Animals

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Morte

Após cerca de um ano de vida, no máximo até 3 anos, a vaca é enviada a um matadouro. Os métodos “humanitários” exigem que o gado seja morto inconsciente. Esses métodos incluem o uso de “pistolas pneumáticas sobre a testa ou choques elétricos.” Para piorar, muitas investigações secretas já mostraram que esse requisito é negligenciado com frequência, e que muitas vacas são degoladas ainda conscientes.

A vida de um “Baby Beef” e de uma Vaca Leiteira

Nascimento

Quando um bezerro da indústria leiteira nasce, ele é tirado da própria mãe dentro de 24 horas, se não for imediatamente. O principal motivo do filhote ficar longe da mãe é para que ele não beba o lucro do pecuarista (ou seja, o leite de sua mãe), caso contrário, o filhote irá beber o leite reservado para consumo humano.

Jo-Anne McArthur/ We Animals

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Vida útil

Assim como as vacas da indústria de carne, as vacas leiteiras viveriam naturalmente cerca de 18 a 22 anos. Porém, na indústria de leite elas vivem em torno de 5 anos de idade.

Bebês

A fim de “dar leite”, uma vaca leiteira deve ser inseminada artificialmente, pois, assim como os seres humanos, ela não vai produzir leite se não houver um bebê para amamentar. Enquanto muitos dizem que as vacas precisam engravidar uma única vez, a verdade é que elas são inseminadas a cada ano, com o intuito de manter a produção de leite a mais alta possível, para não mencionar o lucro com a venda dos seus bebês, para a indústria de vitela.

Jo-Anne McArthur/ We Animals

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Tratamento

Assim como a espécie humana, o período de gestação de uma vaca é de 9 meses. Ela é ordenhada durante a maior parte da sua gravidez e quando ela dá à luz, seu filho será tirado dela. Se for macho, ele será preso uma minúscula cela para, no máximo em 16 semanas, ser abatido e virar carne de vitela. Se o filhote for fêmea, ela vai se tornar uma vaca leiteira e o clico de tortura continuará.

Depois de ter o seu bebê tomado, a vaca leiteira será ligada a máquinas de ordenha. De acordo com a ASPCA, em média “as vacas leiteiras produzem cerca de 45 litros de leite por dia – 10 vezes mais do que o normal. Isso ocorre devido aos hormônios, dietas artificiais e criações geneticamente selecionadas”.

Jo-Anne McArthur/We Animals

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Uma prática cruel que muitas vacas leiteiras enfrentam é ter sua cauda removida sem anestesia. Acredita-se que isso mantém as glândulas mamárias limpas, mas esse mito já foi derrubado.

As vacas também têm seus chifres arrancados ou queimados – novamente, sem qualquer alívio para dor.

Morte

Muitos evitam a carne pois o animal precisa ser morto, mas continuam a beber leite porque acreditam que isso não envolve sofrimento animal. É fato que uma vaca leiteira não precisaria ser morta para produzir leite, mas elas não acabam em uma espécie de retiro quando a “produção” de leite declina. Após cerca de 5 anos, ela já não é tão rentável quanto seus pares mais jovens. Então, o que um pecuarista faz? Ele a mata. Sim, a vida de uma vaca leiteira termina no matadouro, exatamente da mesma forma que na indústria da carne.

Jo-Anne McArthur/We Animals

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Então, no final das contas, a vaca leiteira é assassinada também. Dado o fato das vacas criadas para a carne não terem seus bebês roubados tão cedo, então, de fato há mais crueldade em um copo do leite do que num pedaço de bife. Isso não quer dizer que o sofrimento na indústria da carne é insignificante, pelo contrário, nós sabemos a dor que os animais passam em suas vidas. No entanto, é hora de dar atenção ao suplício enfrentado pelas vacas da indústria de laticínios. Nós podemos acabar com esse sofrimento. Tudo que precisamos fazer é deixar de consumir leite e seus derivados.

Fonte: One Green Planet

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7 ideias sobre “Há mais sofrimento num copo de leite ou em um bife?

  1. Didiu

    A verdade dói nos viciados e mais ainda nos exploradores.. Arrogantes carnários que acham que a sua gula ou seu capitalismo egoísta prazer são mais importantes que a vida estão muito enganados! E não é a toa que o leite e a carne de animais são os fatores mais causadores de doenças. Aqui se faz.. Aqui se paga. NÃO MATARAS É PARA TODOS OS SERES VIVOS!!

  2. Anônimo

    Boa noite! Achei muito bacana o seu texto! Sou acadêmica de medicina veterinária e sei exatamente o que se passa em um tambo de leite com as mimosas…. Só queria deixar claro que quando o bezerrinho nasce, por ele não ter a formação total dos 4 estômagos, que todo ruminante tem, ele é obrigado a ter uma alimentação a base de leite por um tempo e só depois de alguns meses ser introduzido pasto na alimentação conforme vai havendo formação total dos estômagos. Deve-se lembrar que todo bezerro mama o colostro (primeiro leite pós-parto) para ser evitado uma série de doenças posteriores ao nascimento e para que ele também adiquira imunidade passada de mãe para filho. No caso da minha universidade é fornececido a eles o leite em mamadeiras por um tempo, visto que, sim! Eles são retirados horas após o nascimento de suas mães… Mas só queria deixar claro sobre a alimentação dos bebês!
    Obrigada pelos textos de realidade! Eles mostram a verdade nua e crua do que é a produção animal, infelizmente

  3. Fernando

    Tudo ok, bem explicado! Porém voces já pararam para pensar a infinidade de produtos que são feitos a partir das vacas? Até shampoo de cabelo! Então se querem que seu ideal seja ao menos “útil” porque não aumentam para os demais itens?

  4. Dienifer Carvalho

    Eu tenho muito nojo disso tudo, acho que nasci no tempo errado. Hoje em dia tudo se resumi a dinheiro, seria tão bom os fazendeirinhos com suas vaquinhas, galinhas, fazendo tudo certo mas NÃO tem que ser tudo com máquinas e sem amor algum para com os nossos bichanos, o ser humano só existe pra estragar com tudo.

  5. Clarice S

    Eu parei de comer carne a um tempo, ainda estou tentando parar de comer os derivados ,porque é difícil 😦 mas toda vez que vou comer algo e lembro, me dá uma dor tão grande, mas ainda não consegui parar. 😥

  6. Luciane Benites

    Façam um abaixo assinado para petição, acabar com a crueldade com os animais, assino mil vezes se for preciso. É muito injusto o prazer de uma espécie às custas da dor da outra. Isso é psicopatia, se isso não mudar a Natureza entrará em ação. A humanidade pagará muito caro.

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