Quem você prefere: um rato ou uma criança?

Essa é a pergunta realizada pela Fundação para a Pesquisa Biomédica (FBR), dos Estados Unidos. A FBR vem fazendo campanhas ao público, espalhando outdoors em Wisconsin, no intuito de conquistar um apoio da população aos testes em animais.

Esquizofrenia moral em uma imagem.
Biomédicos instigam a população em publicidades que trazem falsos e perigosos dilemas. Nesse caso, perguntam se preferimos ver uma criança ou um rato vivo.

Mas, o que há por trás desse questionamento? Para os cientistas apoiadores da experimentação animal há um jeito simples de fazer as pessoas se tornarem favoráveis aos testes: basta apelar para vida ou morte. Geralmente, esse grupo de pesquisadores possui pouco contato com o público, uma vez que há uma intenção em omitir as pesquisas com animais, porém, quando eles se engajam na tarefa oposta, o resultado sempre acaba por revelar um desastre ético e moral.

Ao colocar a questão da preferência em salvar ratos ou crianças tais cientistas, sem querer, demonstram a moral que possuem e que permite que os experimentos com animais continuem acontecendo.

Toda vez que aceitamos os testes em animais devemos nos perguntar: qual tipo de pensamento está guiando tal posição? Quais crenças movem a permissão de usar os animais em nosso benefício?

A crença implícita por trás da publicidade é a de que os animais são inferiores ao homem, prevalecendo sempre os interesses humanos sobre as outras espécies. Esses cientistas acreditam que ao escolhermos a vida de uma criança, em detrimento da vida de um rato, estaremos livres dos encargos morais da experimentação animal.

É como se perguntássemos se pais preferem seus próprios filhos ao invés do filho da casa ao lado. E se a resposta fosse afirmativa, então o filho do vizinho poderia ser usado em testes, ficando confinado em um laboratório, privado de liberdade e condenado à morte.

Mas essas perguntas não funcionam e não resolvem a problemática, pelo contrário, nos colocam em dilemas falsos e perigosos. Não se trata de escolher entre a vida de um animal e de um ser humano. Trata-se de buscarmos novos métodos que não impliquem o sofrimento de terceiros. Novamente, os cientistas costumam dizer que seria um retrocesso parar com os testes em animais. E, de novo, cometem a falácia do apelo ao medo.

Rejeitar os testes em animais não é ser anti-saúde e anti-ciência. É, principalmente, reconhecer os limites da experimentação animal, que traz resultados decepcionantes. Como diz Dr. Herbert Hensel, diretor do Instituto de Fisiologia da Universidade de Marburg, “estudos com animais são piores do que jogar cara ou coroa”.

Então, a menos que queiramos continuar massacrando e torturando seres sencientes inutilmente, precisamos considerar os animais da mesma forma que consideramos os membros da nossa espécie.

No entanto, cientistas que colocam questionamentos do nível da publicidade da FBR deveriam envergonhar-se em expor a imoralidade ao público. Precisam resolver sua própria esquizofrenia moral antes de colocarem seres indefesos em um delírio ético. A vida de terceiros não têm nada a ver com isso, seja de crianças ou de ratos. Ambos são seres indefesos e não podem ser tratados como objetos.

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Uma resposta para “Quem você prefere: um rato ou uma criança?”

  1. Chantagem emocional…
    Bem, quem com fogo fere… Como aliás já sugeriram implicitamente acima, a PETA (entre outras entidades) pode combater esse tipo d falácia com a mesma arma, por ex.:

    Um cartaz c/a figura d uma criança africana doente (ou se for num estado americano mto racista, uma criança americana mesmo) junto c/um camundongo fofo, ambos tentando se esconder d um lado da foto, c/o estereótipo do ‘cientista louco’ e um ‘financista ladrão’ do outro lado da foto, rindo cinicamente, com dinheiro saindo pelos bolsos e segurando martelos ensanguentados tentando achar a criança e o camundongo…

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