Testes de cosméticos em animais: uma investigação secreta

Investigação feita em 2009 revelou os porões da indústria de cosméticos.

O preço da vaidade.
O preço da vaidade (Imagem: Reprodução/BUAV)

A investigação

Durante 8 meses, um ativista da União Britânica pela Abolição da Vivissecção (BUAV) realizou uma investigação secreta no Laboratório Wickham, localizado na Inglaterra, onde testes de cosméticos são realizados em camundongos e coelhos.

O Laboratório Wickham possui uma colônia com cerca de 100 coelhos. Todos eles possuem identificação numérica e recebem nomes como Dexter, Urano, Melão e Coral pela equipe.

O que foi encontrado

Os coelhos ficavam contidos até o pescoço, tendo um termômetro colocado no próprio reto, que media cerca de 7,5 centímetros. Eles eram obrigados a ficar nesse estado durante várias horas, com substâncias tóxicas injetadas nos olhos, orelhas e via oral.

Apesar de a lei europeia exigir o uso de alternativas para testes de cosméticos, há uma brecha que permite que os animais continuem a sofrer miseravelmente, com a justificativa de pesquisa médica, como é o caso da toxina botulínica (botox), envolvendo procedimentos de toxicidade, feitos rotineiramente.

Por exemplo, o teste DL50 (Dose Letal 50) envenena animais forçadamente em repetidos testes, até que os mesmos sucumbam à morte. O DL50 vista identificar em qual nível de substância 50% dos animais usados morrerão.

Os testes são desconfortáveis e angustiantes para os coelhos. E os que não morrem são reutilizados, voltando às suas minúsculas gaiolas.

Estresse, tédio e frustração

No ambiente natural, coelhos são animais curiosos, sociais e bastante ativos. Porém, em um laboratório de pesquisa esses pobres animais vivem em gaiolas de metal ou plástico, pequenas e estéreis. Esse encarceramento impede que suas necessidades físicas e comportamentais sejam satisfeitas.

Em um laboratório um coelho não pode escavar e construir galerias subterrâneas. O animal vive em meio ao tédio e frustração, apresentando comportamentos de estresse constante, realizando movimentos repetitivos e automutilação.

Autoridades negam

A BUAV fez uma denúncia formal ao governo, pedindo uma inspeção do laboratório e uma análise do relatório produzido pela ONG, que revelava os maus-tratos e as condições dos animais durante os testes. Em 2010, o governo emitiu uma nota afirmando que “a maioria das preocupações levantadas pela BUAV não tinha fundamento” [1], permitindo que os testes continuassem acontecendo.

Fotos

Clique na imagem para ver as fotos de maneira ampliada (feche o slide de fotos no canto superior esquerdo).

Vídeo

Ative as legendas em PT-BR no botão do player.

Métodos substitutivos

Apesar do cenário encontrado, existem métodos substitutivos que tornam o uso de animais injustificável pela indústria dos cosméticos. Esses métodos não envolvem qualquer tipo de animal e são mais baratos, eficazes e seguros.

Modelos in vitro ou computadorizados possuem uma taxa de precisão de até 95%, enquanto testes em animais ficam na margem de 60%. Os testes EpiDerm, SkinEthic, SNAP-25 e Ensaio Corrositex são apenas alguns exemplos.

Então por qual motivo os testes em animais da indústria de cosméticos continuam? Existem indústrias lucrando com a criação e venda desses animais.

Comece a exigir que isso pare de uma vez por todas.

Referências

[1] Animals Scientific Procedures Inspectorate (Wickham Laboratories), 30 de novembro de 2010. [PDF]

[2] The Ugly Truth

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2 respostas para “Testes de cosméticos em animais: uma investigação secreta”

  1. Interessante registrar que o Reino Unido integra a União Europeia, que por sua vez é considerada nada menos do que uma referência mundial quando se trata de direitos animais. E se essas atrocidades completamente desnecessárias acontecem lá, apenas imagine o que se passa em um “Royal” qualquer aqui e no resto do mundo…

  2. “E se essas atrocidades completamente desnecessárias acontecem lá, apenas imagine o que se passa em um ‘Royal’ qualquer aqui e no resto do mundo…”

    Dá até medo de imaginar…

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