99,6% dos testes em animais falham em ensaios clínicos para o tratamento de Alzheimer

Um novo estudo analisou o desenvolvimento de medicamentos destinados a prevenir, curar ou melhorar os sintomas da doença de Alzheimer, entre 2002 e 2012. Os testes foram feitos em animais. O resultado: mais de 99% deles falharam.

Cérebro

Apenas um único medicamento foi aprovado desde 2004, conforme estudo publicado na revista Alzheimer’s Research & Therapy.

A taxa de falha das drogas é preocupante, superando os estudos para outras doenças, como o câncer.

Dr. Jeffrey Cummings e seus colaboradores, do Centro de Lou Ruvo da Clínica Cleveland para a Saúde do Cérebro, em Las Vegas, examinaram um site público que faz o registro de ensaios clínicos.

Entre 2002 e 2012, 99,6% dos ensaios de medicamentos para Alzheimer falharam ou foram interrompidos.

Isso se compara com a taxa de insucesso de 81% para medicamentos contra o câncer, desenvolvidos a partir da experimentação animal.

A taxa de erro é “especialmente preocupante”, dado o aumento de número de pessoas com demência, afirmou Dr. Simon Ridley, do Centro de Pesquisa de Alzheimer do Reino Unido.

“Os autores do estudo destacam um declínio preocupante do número de estudos para tratamentos de Alzheimer nos anos mais recentes”, disse ele.

“As elevadas taxas de insucesso desencorajam as empresas farmacêuticas a investir em pesquisas na área.

A única maneira de ter sucesso na área é fazer pesquisas inovadoras e de alta qualidade, aumentando o investimento em ensaios clínicos.”

Modelos experimentais

Dr. Eric Hill, da Escola da Vida e Ciências da Saúde da Universidade de Aston, afirmou que são necessárias mais pesquisas para o entendimento dos complexos mecanismos por trás da doença.

“O desenvolvimento de modelos mais eficazes não só irá ajudar-nos a compreender as mudanças que ocorrem nos cérebros dos pacientes com Alzheimer, mas também irá nos fornecer ferramentas para a descoberta de tratamentos que podem retardar ou impedir o aparecimento da doença”, disse ele à BBC News.

A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência.

Ela afeta mais de 820 mil pessoas no Reino Unido e custa 23 bilhões de libras por ano.

Fonte: BBC News

Referências

CUMMINGS, Jeffrey L.; MORSTORF, Travis; ZHONG, Kate. Alzheimer’s disease drug-development pipeline: few candidates, frequent failures. Alzheimer’s Research & Therapy, v. 6, n. 4, p. 37, 2014. [Link] [PDF]

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