O beco sem saída das pesquisas com animais

Em um artigo no The Guardian, intitulado “Os camundongos e a medicina“, Alok Jha coloca a seguinte questão: “Se um tratamento funciona em roedores, ele irá nos curar?” Embora ele reconheça que a pesquisa com ratos tenha suas limitações, a sua resposta para a pergunta é, basicamente, “sim”.

Pesquisa Animal

E essa é a posição apresentada no site Compreendendo a pesquisa animal – citado como fonte para o artigo. No site há um empenho em promover a ideia de que o uso de animais em pesquisa científica é algo imprescindível. Porém, a organização não é uma instituição de caridade – ela é financiada pela indústria farmacêutica.

A minha resposta para a pergunta levantada é provavelmente não. E respondo isso com base em evidências. O câncer é um bom exemplo: o ex-diretor do Instituto Nacional do Câncer dos EUA, Dr. Richard Klausner, lamentou:

“A história da cura do câncer, na ciência, tem sido uma história de cura dos camundongos. Conseguimos curar por décadas câncer em camundongos – e isso simplesmente não funciona em humanos.”

Da mesma forma, a Aids é outro exemplo. Pelo menos 80 vacinas funcionaram em animais, porém, todas elas falharam em humanos. Além disso, para cada um dos mais de 150 tratamentos para AVC que tiveram sucesso em testes com animais, não funcionaram com humanos. Um estudo divulgado no BMJ revelou que os testes em animais possuem um índice de predição menor que 50%.

Qual outra área da ciência com um histórico tão pobre poderia requisitar que esses testes são indispensáveis? A verdade é que a experimentação animal é um negócio caro para o progresso da medicina. A maioria das descobertas médicas é feita em estudos com humanos, embora a pesquisa animal acabe levando um crédito falso. Por exemplo, a estimulação cerebral profunda para a doença de Parkinson foi primeiramente feita em humanos, não em macacos, como é frequentemente reivindicado.

A chave para a cura das doenças humanas é estudar humanos, ao invés da biologia das outras espécies – fato evidenciado por mim mesma como paciente de tumor no pâncreas. Durante o meu tratamento, pesquisadores anunciaram que as diferenças do pâncreas são tão diferentes entre roedores e humanos que as pesquisas com animais são inúteis: estudos futuros devem se basear somente em nossa espécie.

Cientistas concordam que o melhor modelo para desenvolver drogas é o ser humano. Em uma recente conferência internacional, houve a demonstração de diversas tecnologias computadorizadas que estão sendo desenvolvidas na área. Essas novas técnicas prometem reduzir o trágico saldo de reações adversas a medicamentos, que hospitalizam 1 milhão de britânicos e matam 10 mil a cada ano.

Os testes de segurança em animais são exigidos pelo governo, apesar de nunca terem sido comparados com métodos baseados na nossa biologia. Temos que nos mover em direção ao século 21, pelo bem de todos nós.

Kathy Archibald é uma geneticista que trabalha com o objetivo de promover a saúde independentemente da pesquisa animal.

Traduzido de The Guardian, “The dead end of animal research“, Friday 7 August 2009

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