Uma única lição da experimentação animal

Com o argumento de melhorar a nossa vida e nos deixar saudáveis, os cientistas fazem questão de exaltar uma suposta importância que a experimentação animal possuiria para a humanidade – é a tentativa de justificar o injustificável.

Rato

Se para cada um de nós fosse perguntado se aceitaríamos que crianças fossem submetidas aos mesmos procedimentos que os animais passam nas mãos dos cientistas, certamente agiríamos com repulsa e aversão. A princípio, jamais aceitaríamos essa forma de submissão… E se um cientista lhe fizesse a seguinte proposta? Nós precisaríamos matar apenas uma única criança para que a cura do câncer fosse descoberta.

Tudo seria feito em ambiente estéril e com os devidos procedimentos para alívio da dor. O resultado, nesse caso hipotético, estaria garantido. Simples: matamos a criança e encontramos a cura do câncer. Estaria justificado impor o fim de um ser indefeso e senciente por um “bem maior”?

Nem tão simples. Poderíamos dizer, com razão, que não interessaria o fim que desejaríamos atingir, seria antiético realizar tal ato. Argumentaríamos também que essa única criança não teria como se defender – ela é “alguém”, não alguma coisa. Colocá-la contra a própria vontade em um laboratório para depois matá-la seria tratá-la como um objeto e como um mero recurso. Não seria nada menos do que um assassinato premeditado. A imposição do mais forte sobre o mais fraco.

Eis o cenário da experimentação animal.

Usamos animais na (má) ciência pois acreditamos que os fins justificam os meios. Colocamos o interesse da nossa própria espécie acima do interesse das outras espécies. Os animais estariam aqui para nos servir – assim crê o vivissector. Seríamos a espécie superior e poderíamos fazer o que quiséssemos com os outros seres, independente das implicações morais e éticas que isso venha provocar.

Apesar disso, muitos poderiam dizer que para tudo existe um preço e que sacrifícios precisam ser feitos para que a sociedade “evolua”. Porém, não é isso que está em jogo. Não temos que nos perguntar qual preço pagaríamos para ter a cura das doenças; a pergunta correta seria: quanto vale a nossa ética?

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