Métodos substitutivos são mais confiáveis e baratos do que testes em animais

É um fato: as pesquisas com animais não são o futuro da ciência e da pesquisa médica. Os modelos substitutivos são mais baratos, mais confiáveis e evitam a morte e a tortura de milhares de animais nas mãos dos cientistas.

Além de caro, o modelo animal é um atraso para o avanço científico.

Além de caro, o modelo animal é um atraso para o avanço científico.

“Não resta dúvidas de que a melhor espécie para teste em ciência é a espécie humana. Não é possível extrapolar dados obtidos com animais para os seres humanos, devido à variação anatômica, fisiológica e bioquímica.” [1]

Com objetivo de prever toxicidade, corrosividade e outras variáveis de segurança, bem como a eficácia de um novo produto para humanos, a ciência utiliza animais em testes de medicamentos, cosméticos e dispositivos médicos. Mas hoje, os cientistas desenvolveram e validaram métodos alternativos até mesmo mais eficazes e seguros do que os testes em animais.

Por exemplo, a corrosão e irritação de pele podem ser facilmente medidas utilizando sistemas equivalentes de pele humana tridimensional, como o EpiDerm e SkinEthic. Outras alternativas incluem EpiSkin (um modelo de pele humana reconstruída) e uma variedade de modelos sofisticados, baseados no modelo computacional Quantitative Structure Activity Relatioonship (QSAR) que preveem a corrosividade cutânea e a irritação com precisão de 95% [2].

Algumas alternativas para o uso de animais

  • In vitro (tubo de ensaio), através da cultura de células humanas;
  • Banco de dados de uso de medicamentos em humanos;
  • Modelos e simulações computadorizadas;
  • Células-tronco e testes genéticos;
  • Técnicas não-invasivas em humanos, como ressonância magnética e tomografia computadorizada;
  • Microdosagem (onde seres humanos recebem quantidades muito baixas de um medicamento, no intuito de verificar os efeitos corporais a nível celular).

Benefícios dos testes que não usam animais

1. Testes científicos alternativos são, muitas vezes, mais confiáveis que os testes em animais.

Por exemplo, experiências com ratos, camundongos, porquinhos da índia, macacos e chimpanzés não revelaram a relação entre fibra de vidro e a incidência do câncer. Somente após estudos em humanos é que a Administração de Segurança e Saúde Ocupacional (OSHA) determinou que a substância é cancerígena.

O EpiDerm, um teste in vitro de cultura de células, é mais confiável na identificação de substâncias químicas irritantes para a pele do que os testes em animais. Em modelos comparativos, o EpiDerm detecta corretamente todos os efeitos de irritação de produtos químicos para pele humana, enquanto testes feitos em coelhos tem uma taxa de erro de 40%.

2. O uso de tecidos humanos em testes de toxicidade é mais preciso do que os modelos com animais.

A “Dose Letal 50” (DL50) força os animais a ingerirem substâncias tóxicas e letais para a determinação de até que ponto 50% morrerão depois do teste. O falecido Dr. Björn Ekwall (do Laboratório de Ecotoxicologia da Suécia) desenvolveu um modelo substitutivo para o DL50, com uma taxa de precisão de até 85%, em comparação com a taxa de 61-65% do modelo animal. Nesse teste substitutivo há a utilização de tecidos humanos. Além disso, o processo pode identificar efeitos tóxicos específicos para humanos, evitando a morte agonizante e a tortura de animais.

3. Os testes sem animais são mais baratos, práticos e convenientes.

O Ensaio Corrositex (pele sintética) pode fornecer uma determinação do nível de corrosão química de três minutos a quatro horas, ao contrário dos testes em animais, que podem levar de duas à quatro semanas.

DakDak, um teste alternativo para medir a eficácia dos protetores solares, pode fazer isso em dias, enquanto em animais o teste demora meses. Ele pode testar 5 ou 6 produtos por menos da metade do custo de um único produto testado em animais. Os testes tradicionais que utilizam animais podem levar até cinco anos por substância, custando milhões de dólares.

4. Produtos livres de crueldade são mais amigos do meio ambiente.

Em testes de toxicidade, uma grande quantidade de lixo patogênico é liberada para a natureza. Já com os testes substitutivos, os resíduos são bem inferiores.

Em 2007, o Conselho Nacional de Pesquisa dos EUA (NRC) divulgou um relatório intitulado “Testes Toxicológicos no Século XXI: Visão e Estratégia”, que abordou os limites dos exames toxicológicos em animais, pedindo uma mudança para métodos baseados na espécie humana. O relatório foi emitido em resposta a um pedido da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), concluindo que os “avanços dos testes de toxicidade, a bioinformática, epigenética e os modelos computacionais, podem transformar o uso do modelo animal, principalmente com os métodos in vitro, que avaliam mudanças nos processos biológicos usando células, linhas celulares ou componentes celulares, de preferência de origem humana.” [3]

Em 2008, a EPA e o Programa de Toxicologia do Centro de Genômica Química (NCGC) assinaram um “Memorando de Entendimento” para que a conclusão do relatório fosse colocada em prática e que novos modelos sejam desenvolvidos, sem o uso de animais. Eles descobriram que estes novos modelos permitem que milhares de produtos químicos sejam testados de uma só vez. Sendo mais rápido, mais barato e melhor para a saúde humana. De acordo com o ex-diretor do NIH, Elias Zerhouni, isso “não significa que a experimentação animal vai desaparecer da noite para o dia, mas é o começo do seu fim.” Hoje, a EPA está em processo de construção de órgãos virtuais. Pesquisadores de “tecido virtual” podem identificar os riscos de pesticidas e poluentes industriais, salvando milhares de animais que passam por testes torturantes. [4]

ICCVAM

A necessidade de alternativas para o uso tradicional de animais em testes de toxicidade foi oficialmente reconhecida pelo governo dos Estados Unidos em 1993, com a aprovação do Ato de Autorização do NIH. Os requisitos previstos na Lei levaram à criação de uma comissão chamada de Comitê de Coordenação Interagências para a Validação de Métodos Alternativos (ICCVAM), composto por 15 agências reguladoras dos EUA.

A missão do ICCVAM é “promover o desenvolvimento, validação e regulamentação de métodos alternativos seguros. O objetivo é buscar métodos que reduzam, refinam (causem menos sofrimento) e substituam os testes em animais, mantendo e promovendo a qualidade científica e a proteção da saúde humana ou animal, e o meio ambiente”. [5]

Conclusão

A “regra de ouro” da ciência é transformar as nossas vidas através da tecnologia. Por isso, a pesquisa médica também deve fazer parte dessa transição para o abandono completo de animais na ciência. Na verdade, alguns estados já aprovaram leis exigindo que alternativas sejam adotadas no lugar de animais. Além disso, a Mandatory Alternatives Petition (MAP) pede que o FDA exija que métodos alternativos devam ser usados, caso existam. Se isso acontecer, pouparemos a vida milhões de animais.

Para o benefício dos próprios cientistas, bem como a demanda da sociedade que não aceita mais métodos arcaicos, a ciência está se movendo para um dia libertar os animais de toda crueldade a que são submetidos. A ciência pode e deve proteger os animais, o meio ambiente, e promover a saúde humana. Graças aos avanços, estamos finalmente reconhecendo o fato de que “a melhor espécie para teste em ciência é a espécie humana”.

Referências

[1] MacLennan & Amos. (1990). Clinical Science Research Ltd., UK, Cosmetics and Toiletries Manufacturers and Suppliers, XVII, 24.

[2] European Commission. (n.d.). Joint Research Centre: QSAR Review Irritation.

[3] National Research Council. (2007). Toxicity Testing in the 21st Century: A Vision and a Strategy. Washington, DC: The National Academies Press.

[4] Johns Hopkins University. (n.d.). EPA Developing “Virtual Liver” Computer Simulation.

[5] National Toxicology Program. (n.d.). NICEATM – ICCVAM, Frequently Asked Questions.

[6] Ibid.

Fonte: NEAVS

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