‘Um beagle saindo do Royal valeu mais do que mil discursos’, diz ativista vegana

Entrevistamos uma ativista dos direitos dos animais que faz frente às pesquisas com animais. Recentemente, os defensores têm lutado para que a ciência deixe de submeter as outras espécies em nosso benefício.

Beagle

Adriana Khouri não come carne desde os 15 anos de idade, quando começou a conhecer a realidade dos matadouros e dos abatedouros. Posteriormente, depois de assistir uma palestra do ativista vegano Gary Yourofsky, conhecido internacionalmente, parou de consumir leite e derivados.

Dois anos antes do resgate dos animais do Instituto Royal, que ocorreu em outubro de 2013, a ativista passou a conhecer os porões da experimentação animal, através das denúncias de maus-tratos. Adriana passou a pesquisar sobre o assunto e assumiu, assim, uma posição ética sobre a questão. De acordo com ela, ações como as que ocorreram com o Royal podem despertar as pessoas para o fato de que os animais também sofrem, como nós.

Adriana fundou a ONG C.I.A – Compaixão, Informação e Atitude Animal, juntamente com a protetora Fátima Couto Valle. Ela nos contou por-email, no dia 6 de maio de 2014, como foi a sua trajetória até o veganismo e comentou sobre os protestos recentes contra o TECAM Laboratórios, que realiza testes em animais, localizado em São Roque (SP).

Há quanto tempo você está envolvida na causa animal?

Desde criança, alimentando e trazendo para casa cães e gatos abandonados, e fazendo parte da UIPA, União Internacional Protetora dos Animais. No ano de 2005, essas ações se organizaram mais com minha sócia, Fátima. Começamos a criação de um abrigo ampliando para além dos cães e gatos, os porcos, cavalos, bodes e cabras. Em 2011 tivemos contato com as denúncias do Instituto Royal e nesse momento criamos a ONG C.I.A – Compaixão, Informação e Atitude Animal. Hoje, nosso objetivo a curto prazo é a criação da Federação Paulista, com a junção dos grupos sérios do Estado, e a Confederação Nacional com participação de todo o Brasil, à fim de que tenhamos representação jurídica e civil em todo o território, sobretudo, na observação dos políticos e dos projetos em Brasília.

Você come carne?

Não como carne desde os 15 anos de idade; hoje tenho 47. Na época assisti na televisão um documentário sobre confinamento e abate de porcos e bois. Antes disso já não comia frango e peixe, pois conseguia perceber com facilidade que era um animal, mas a carne vermelha mascarada, como dos hambúrgueres, somente parei aos 15. A mesma coisa aconteceu com leite e queijos. Amava os queijos franceses – brie, camembert… Mas em um domingo à tarde assisti à palestra do Gary. Logo na segunda-feira já não consegui mais colocar nada disso na boca. O veganismo me despertou para a maior dor de todas: a dos animais de abate. Após as ações contra testes em animais, no segundo semestre [de 2014] faremos o maior evento vegano de SP, com a representação de vários setores: educacional, indústria, produtos de limpeza, saúde e nutrição.

Você apoia o resgate de animais confinados em laboratórios?

Muitas vezes as ações devem ser pontuais para despertar, de fato, as pessoas. Valeu muito mais uma imagem de um beagle saindo do Royal do que mil discursos. Houve sensibilização. Temos que tocar os corações das pessoas.

Quando você começou a ser contra a prática pesquisa científica com animais?

Com mais propriedade, estudando o Instituto Royal, as leis e os tipos de testes existentes no mundo.

Você considera que as leis sobre experimentação animal são justas?

A Lei Arouca de 2008, por mais cruel que seja, regulamenta o uso de animais em experimentos científicos e determina que se há métodos alternativos, eles devem ser utilizados. Porém, na prática, as cobaias são usadas em quase 95% das universidades e em todos os laboratórios, descumprindo a lei. É só verificar que o próprio Fiocruz não usa nada de verba para validar os métodos substitutivos.

Recentemente, ativistas têm protestado contra o Laboratório TECAM, em São Roque (SP), que realiza testes de cosméticos em animais. Qual é o seu envolvimento neste caso?

É a continuação da luta. A Frente Antivivisseccionista do Brasil está atenta a todos os laboratórios e universidades. Além do Tecam, Bioagri, Cristalia e Unicamp são nossos objetos de estudo.

Uma das diretoras do TECAM chegou a declarar que eles “só fazem testes em ratos”. O que você acha disso?

Que esqueceram de ensinar a Dra. na faculdade de Bio(vida) Logia(estudo) que rato não é feito de plástico. E que ele é senciente, sente dor, medo e pavor. Compaixão: o que você não quer para si, não deve causar ao outro, seja o outro quem for.

O objetivo de vocês é parar completamente os testes com animais?

Cresceremos e cercaremos todos os institutos, sejam educacionais ou de pesquisa, pelas vias da lei e da atualização de métodos, até que os vivisseccionistas avancem tecnologicamente. Métodos substitutivos já existem – veja a Inglaterra, Índia, a Europa como um todo, e vários estados dos EUA. Falta boa vontade dos cientistas acostumados a práticas decrépitas e também falta de cobrança da sociedade, porém, esta só se dará com a divulgação de dados e informação.

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