Uso de animais em pesquisa militar – morte, tortura e sofrimento

Após o 11 de setembro, os Estados Unidos passaram a investir na guerra contra o terrorismo. Os esforços contra este problema resultaram em um aumento dramático nas pesquisas de doenças infecciosas e na utilização de animais para o estudo de agentes químicos ou biológicos.

Foto: PETA

Foto: PETA

O Departamento de Defesa dos EUA (DOD) é a principal agência federal de investigação militar e biodefesa. Hoje, várias agências recebem financiamento para “atividades relacionadas à armas biológicas com o enfoque principalmente em pesquisa, desenvolvimento e medidas médicas”. [1] Desde 2001, “o governo dos EUA passou a investir mais de 50 milhões de dólares em 11 departamentos e agências federais, para enfrentar ameaças e armas biológicas”. [2] Líder em pesquisa militar, o objetivo do DOD é “fornecer as forças militares necessárias para impedir a guerra e para proteger a segurança de nosso país [EUA]” [3] e “descobrir, projetar e desenvolver contramedidas contra as ameaças para a saúde e a sobrevivência dos militares”. [4]

Na pesquisa militar, os animais são usados em pesquisas médicas ou não-médicas, educacionais e de treinamento. As espécies utilizadas incluem anfíbios, répteis, peixes, aves, ratos, ratazanas, esquilos, porquinhos da índia, coelhos, furões, bois, porcos, cabras, ovelhas, mamíferos marinhos, gatos, cães e primatas não-humanos – todos eles são usados com o objetivo de estudo dos efeitos de agentes químicos e biológicos, de armas convencionais, da exposição à radiação, queimaduras, doenças infecciosas e traumas. Por exemplo, primatas não-humanos são usados em estudos de radiação e, também, em estudos de vacinas ou desenvolvimento de drogas contra doenças infecciosas e agentes biológicos. Gatos são usados em programas de treinamento para veterinários, os cães na fisiologia e na psicologia, anfíbios em pesquisas de regeneração de membros, porcos e cabras em treinamentos de combate, e os macacos em treinamentos de exposição à agentes químicos ou biológicos. Roedores (como camundongos geneticamente modificados) são usados em todos os níveis de drogas e pesquisas sobre doenças. Em laboratórios de traumas, os porcos são usados para a prática de procedimentos cirúrgicos emergenciais e caprinos têm seus membros amputados, para a indução de hemorragias graves. Pelo menos 15 instalações militares nos Estados Unidos realizam estes treinamentos com milhares de animais.

Centros militares de pesquisa também usam animais para estudar hipotermia, queimaduras, deficiência de oxigênio, desconforto respiratório e insolação, e também para o desenvolvimento de “sensores biológicos, sonar, ecolocalização, bio-robôs, materiais de construção, aviação e sistemas auditivos ou proteção visual”. [5] Por exemplo, “os mamíferos marinhos, como os golfinhos, são utilizados para determinar os seus limites de detecção auditivas no mar com sinalizadores. Estudos de sistemas sonares são realizados para melhorar sistemas de detecção de minas”. [6] Enquanto muitos animais são usados em educação e treinamento militar, a maioria deles são usados em pesquisas médicas que envolvem defesa biológica e química, além de doenças infecciosas e testes de novas armas:

“Existem inúmeras áreas de pesquisa, incluindo a medicina, defesa química e guerra biológica, onde os estudos com animais são particularmente críticos, porque os protocolos não fornecem proteção contra agentes altamente letais.” [7]

De acordo com um relatório do DOD [8], 488.237 animais foram utilizados em pesquisas militares em 2007 – mais do que os 364.629 animais usados em 2006; o número de animais usados anualmente em 1999-2006 manteve-se relativamente constante, com uma média de 354 mil animais por ano. De 2006 para 2007 o número de cães e gatos aumentou, juntamente com anfíbios, aves, gado, cabras, porcos, ratos e camundongos. O número de primatas não-humanos aumentou de 2005 (1.899) para 2006 (2.366) e, em seguida, reduziu em 2007 (1.669). Em 2007 os ratos foram responsáveis por 87% dos animais usados pelo DOD. Ao contrário da lei AWA, o DOD reconhece animais como “aves, répteis, ratos e camundongos” [9]. Por ser um órgão governamental, o Departamento de Defesa dos EUA não está sujeito à fiscalização interna, que assegure o cumprimento da AWA.

Conclusão

A pesquisa militar envolve patógenos e doenças mortais (como Ebola, dengue ou Antraz), causando sofrimento grave e resultados letais. Quando os animais não estão sendo submetidos a toxinas químicas, vírus mortais, ou envenenamento por radiação, eles são usados para pesquisas médicas sobre ferimentos de balas, danos nos tecidos, perdas de sangue, queimaduras, lacerações e outras agressões dolorosas para os seus corpos. Por exemplo, existem treinamentos que produzem feridas e simulam campos de batalha, em testes de agentes químicos os macacos sofrem convulsões, falta de ar e, potencialmente, a morte. Em 2006-2007, de 24 a 32% dos animais usados pelo DOD participaram de experiências dolorosas sem qualquer tipo de anestesia. Todos os anos, cerca de 60% dos animais das pesquisas militares são expostos a procedimentos dolorosos. [10]

Além das lesões envolvidas, o uso de animais para o estudo de feridas em campos de batalhas pode produzir dados enganosos. Por exemplo, a trajetória de uma bala é diferente de uma espécie para outra. Os ferimentos induzidos são diferentes, apesar de existirem várias alternativas para tais modelos, diretamente em humanos, disponíveis nas salas de emergências dos hospitais, vítimas de balas. Através destes estudos em humanos, informações valiosas podem ser recolhidas. Além disso, simuladores de pacientes humanos (como de American College of Surgeons, “Suporte Avançado de Vida no Trauma”) podem substituir completamente o uso de animais em formação médica. A consciência sobre a necessidade de novos métodos está aumentando e algumas medidas estão sendo tomadas para a redução do uso de animais. Em 2010, ficou proibida a compra de cães, gatos, primatas e mamíferos marinhos para estudos que “causam ferimentos, de qualquer tipo de arma, para a realização de treinamentos em procedimentos cirúrgicos ou médicos.” [11] Enquanto importantes passos vêm ocorrendo para algumas espécies, milhares de cabras, porcos e outros animais estão sendo submetidos a experimentos cruéis, desnecessários e inúteis, que poderiam ser substituídos por alternativas mais baratas e sem animais. Todos os animais sentem dor, sofrem e merecem proteção de investigações desumanas, invasivas ou mortais.

Referências

[1] The Center for Arms Control and Non-Proliferation. (2008, May 27). Federal Funding for Biological Weapons Prevention and Defense, Fiscal Years 2001 to 2009.

[2] Ibid.

[3] U.S. Department of Defense. (n.d.). About the DoD.

[4] U.S. Department of Defense. (n.d.). Department of Defense Animal Care and Use Programs: Fiscal Years 2006-2007.

[5] Ibid.

[6] Ibid.

[7] Ibid.

[8] Ibid.

[9] U.S. Department of Defense. (2010, Sept. 13). Use of Animals in DoD Programs.

[10] U.S. Department of Defense. (n.d.). Department of Defense Animal Care and Use Programs: Fiscal Years 2006-2007.

[11] U.S. Department of Defense. (2010, Sept. 13). Use of Animals in DoD Programs.

Fonte: NEAVS

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