O vivissector condenado por crueldade animal

Psicólogo Edward Taub chegou a ser condenado por realizar experimentos cruéis em macacos.

Esta foto foi tirada em 1981 por Pacheco - ela é um ícone da crueldade em experimentação animal.
Foto tirada em 1981 por Alexander Pacheco (PETA)

Em maio de 1981, um ativista norte-americano passou a trabalhar secretamente no Instituto de Pesquisa Comportamental de Silver Spring, em Maryland. Durante o período em que esteve no instituto, conseguiu registrar a crueldade das experiências do psicólogo Edward Taub.

Alexander Fernando Pacheco investigou as pesquisas de Taub, que, mesmo sem formação médica, mutilava nervos de macacos, com o objetivo de deixá-los paralisados. A ideia era observar a capacidade neuroplástica do cérebro ao movimentar o braço comprometido – sem qualquer tipo de alívio de dor.

Pacheco aproveitou as férias do psicólogo para fazer registros fotográficos e divulgá-los na mídia, alertando a polícia local, que acabou apreendendo todos os macacos do instituto e processando Taub com 17 acusações de crueldade contra os animais, incluindo a falta cuidados veterinários adequados.

Taub foi condenado judicialmente por seis acusações a nível estadual. No entanto, em um segundo julgamento, cinco acusações foram derrubadas. Finalmente, em 1983 o psicólogo foi inocentado, porque o tribunal decidiu que as leis estaduais de Maryland não podiam ser aplicadas aos laboratórios financiados pelo governo federal.

‘Brilhante’

Apesar de Edward Taub ser da linha comportamental da psicologia, suas pesquisas serviram de conteúdo teórico para autores recentes da psicanálise, como Norman Doidge – que aborda as teorias de Freud por meio da neurociência, intitulando a área de neuropsicanálise.

Doidge alegou que os experimentos de Taub possibilitaram uma “epifania” ao pesquisador, ao perceber que os macacos não usavam o membro paralisado pelo fato de não terem “aprendido” a realizar a sua movimentação. Ele ainda afirma, de maneira bastante emocional, que Edward Taub teve uma carreira “brilhante”, sendo um “homem organizado, consciencioso e muito atento aos detalhes” (2012, p. 151-178). Todavia, a ideia de neurplasticidade não era nova, mas apenas negligenciada pela comunidade científica, quadro que alterou-se depois dos estudos cruéis de Taub.

Surpreendentemente, a Associação Americana de Psicologia (APA) concedeu um Prêmio Científico a Taub em 2004, por supostas contribuições à ciência.

Fotos

Abaixo você confere as fotografias realizadas por Pacheco. Taub alegou que elas foram “montadas” e “manipuladas” para que os animais realizassem “expressões tensas”.

Clique na imagem para ver o slide de fotos de maneira ampliada. Via PETA

Referências

Doidge, Norman. O cérebro que se transforma, Record, Rio de Janeiro, 2012, p. 151-178.

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