As limitações e os perigos da experimentação animal

As pesquisas com animais, quando usadas como base para proteger e melhorar a saúde humana, não são apenas perigosas, mas também caras, lentas e não confiáveis. Problemas de aplicação e informação, quando transferidas para humanos, são inevitáveis quando os pesquisadores usam modelos animais para estudar doenças humanas.

Modelo animal precisa ser superado na ciência.
Modelo animal precisa ser superado por métodos mais seguros e eficazes.

As diferenças anatômicas, fisiológicas, do funcionamento dos órgãos, metabolização de toxinas, absorção química à drogas, e os mecanismos genéticos, entre as outras espécies e os humanos, ocasionam informações inadequadas ou erradas quando tentamos aplicar dados obtidos pela experimentação animal para doenças humanas, ou quando procuramos compreender os efeitos dos fármacos na nossa espécie. Por exemplo, a penicilina é toxica para porquinhos da índia, a aspirina é venenosa para gatos, e a fenfluramina não causa danos em animais, mas em humanos ocasiona problemas cardiológicos. E, apesar de milhões de animais utilizados e bilhões de dólares de impostos gastos, cerca de 95% dos medicamentos contra o câncer falham em testes clínicos em humanos, enquanto isso, a incidência da doença continua aumentando. Como afirmou o Dr. Richard Klausner, ex-diretor do Instituto Nacional do Câncer, “Nós temos curado câncer em ratos por décadas, mas isso simplesmente não funciona em humanos.” Mesmo os chimpanzés, nossos parentes genéticos mais próximos, não puderam nos fornecer resultados preditivos confiáveis das mais de 80 vacinas contra o HIV, que provaram ser eficazes em chimpanzés (entre outros primatas não-humanos), mas falharam em humanos em cerca de 200 testes clínicos, onde um deles até aumentou a possibilidade de um ser humano ser infectado pelo HIV.

Vidas Perdidas

As estatísticas mostram irrefutavelmente que os métodos baseados no modelo animal usados em testes pré-clínicos, para selecionar medicamentos para uso em humanos, não são confiáveis. Na verdade, estudos mostram que se você jogar cara ou coroa e tentar adivinhar como um ser humano irá responder a um determinado medicamento, a sua previsão seria realmente tão segura como as pesquisas com animais. A FDA (Food and Drug Administration) dos EUA, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) e a indústria farmacêutica, reconhecem isso. A FDA relata que 92% dos medicamentos aprovados em testes com animais falham em humanos. Essa taxa de reprovação aumentou 86% em 1985, apesar de todos os “avanços e aperfeiçoamentos” destinados aos testes em animais. Além disso, mais da metade dos poucos medicamentos aprovados são retirados do mercado, devido a efeitos colaterais graves ou letais em humanos. Por exemplo, o remédio para artrite Vioxx se mostrou seguro em animais, porém foi retirado do mercado em 2004, depois de causar mais de 60 mil mortes apenas nos EUA. Em 2007, a FDA relatou que os efeitos adversos graves e fatais de medicamentos mais do que dobraram entre 1998 e 2005.

Mesmo se outras espécies fossem de fato bons modelos de investigação biomédica, outros fatores contaminam os resultados. O estresse, vivido rotineiramente pelos animais de laboratório, influencia negativamente a confiabilidade dos dados das pesquisas com animais. O estresse influencia a frequência cardíaca, o pulso, a pressão arterial, atividade muscular, e os níveis hormonais podem ser alterados de maneira significativa. Em um estudo, os pesquisadores descobriram que o estresse dos ratos de laboratório não ocorre apenas na presença de um pesquisador, mas também quando esses animais sentem empatia pelos outros ratos. “Em outras palavras, ao ver outro rato em perigo, isso eleva a quantidade de sofrimento desses animais”. Este estresse vivenciado, potencialmente oculto, pode distorcer significativamente a interpretação e os resultados de uma pesquisa. Neste caso, “o pesquisador, em um ensaio para avaliação de nível de toxicidade, assume que há uma linha mínima e insignificante para dor, quando na verdade isso pode afetar expressivamente os resultados.” Adicione isso ao fato de que algumas espécies, como os chimpanzés, têm sido mantidas em confinamento por décadas, e você verá que os dados dessas pesquisas estão cheios de imprecisões e omissões.

Os Custos Econômicos

A pesquisa animal é uma indústria multibilionária, onde os interesses comerciais ficam em primeiro plano. Esta é uma das razões pelas quais o uso dos animais continua acontecendo, além de ser defendido ferozmente pelos cientistas, apesar das suas óbvias limitações, perigos e ineficácia, na luta contra as doenças humanas. Como exemplo de motivação financeira, considere que em 2010, The Jackson Laboratory – “um dos principais centros de pesquisa genética em mamíferos” – vendeu 2,9 milhões de camundongos, com um lucro de 98,7 milhões de dólares. A aquisição, manuseio e manutenção de animais para laboratórios, é um negócio altamente lucrativo para importadores de animais, criadores, comerciantes, fabricantes de gaiolas e equipamentos, produtores de alimentos, e indústrias farmacêuticas. Da mesma forma, a compra e a manutenção de animais em laboratórios é muito cara. Ratos, camundongos e aves fazem parte de mais de 90% de todos os animais usados em pesquisa, mas não porque eles são necessariamente os melhores e mais confiáveis modelos de animais, mas porque, em comparação com outras espécies, eles são relativamente baratos de comprar, fáceis de gerenciar e de manter, sendo descartáveis, sem muita preocupação pública.

Embora a indústria consiga grandes lucros a partir disso, há uma desvantagem econômica da pesquisa animal, que afeta diretamente a saúde pública e a segurança ambiental. Em comparação aos métodos alternativos e substitutivos, a pesquisa animal é mais cara e demorada. Por exemplo, o teste DakDak (usado para medir a eficácia de filtros solares em lesões na pele) pode fornecer dados para cinco ou seis produtos, com menos da metade do custo de um teste animal. O atual “padrão de ouro”, que visa testar um produto químico, no intuito de verificar se ele é cancerígeno a um rato, leva até 5 anos para ser realizado, desde o planejamento até a avaliação e revisão, com um custo de mais de 4 milhões de dólares por substância. Os testes in vitro, em contrapartida, permitem às empresas a identificação de compostos promissores em humanos, com um custo e tempo eficientes.

A Necessidade da Mudança

Hoje o esforço para que os poluentes ambientais, as substâncias cancerígenas, os teratogênicos (substâncias que causam defeitos de nascença) e mutagênicos (que causam danos genéticos), sejam controlados, é um grande desafio para os Estados Unidos. Do ponto de vista estritamente econômico, não faz sentido continuar dependendo dos testes de segurança feitos em animais para proteção da nossa saúde e do meio ambiente, mesmo que a indústria lucre cada vez mais com isso. Testes in vitro são feitos de forma rápida, sendo necessários para monitorar novas substâncias químicas industriais ou produtos comerciais, que entram todos os anos no mercado dos EUA. Os avanços científicos das últimas décadas e as inúmeras tecnologias alternativas disponíveis para os pesquisadores, fazem com que a crença na exclusividade da experimentação animal seja uma estreiteza mental para o progresso da ciência. Além disso, os testes em animais fazem com que caminhos mais eficazes se tornem oportunidades perdidas.

A fundação NEAVS, desde que decidiu se opor à crueldade das experiências chocantes com animais, juntamente com o desperdício e ineficácia das mesmas, não é apenas anti-vivissecção, mas também pró-ciência e pró-alternativas cientificamente superiores. A nossa mensagem é clara: os testes com animais não são a melhor forma de promover a saúde humana, tornando-se uma prática cruel, desnecessária e ineficaz.

Fonte: NEAVS

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