Semelhança genética entre espécies não garante eficácia da Pesquisa Animal

Os defensores da pesquisa animal, com frequência, argumentam que o modelo animal é eficiente, pois temos de 80-99% de semelhança genética com os ratos, camundongos chimpanzés, cães e gatos. Qual é a validade deste argumento?

O nosso DNA possui 50% de semelhança com as bananas. Isso mesmo.

Compartilhamos 50% das informações genéticas com o DNA das bananas – você já viu algum cientista defender a Experimentação em Bananas?

Nós possuímos cerca de 80% de semelhança com o DNA dos ratos (Chinwalla et. al, 2002). Com bananas o número chega até 50%. Pode parecer piada, mas não é. Tais números representam apenas uma escala quantitativa, que não pode nos dizer sobre as reais respostas fisiológicas dos organismos diante de algum medicamento – os processos de metabolização são diferentes. As condições psicossociais que os seres humanos estão inseridos, que não podem ser replicadas em laboratório, tornam o modelo animal pobre demais. Além disso, no ambiente laboratorial não há uma série de variáveis que influenciam a biologia humana fora dele, decisivas sobre a eficácia de uma droga – como por exemplo, os hábitos e a qualidade de vida do indivíduo.

Os cientistas, com o advento da biomedicina, acreditaram que, por termos semelhanças anatômicas e genéticas, o modelo animal seria o melhor possível para predição dos efeitos de uma droga. Todavia, o fato de termos uma igualdade anatômica, em vários graus, isso não significa que a experimentação animal é um modelo seguro e eficaz para o desenvolvimento de novos medicamentos, pois a fisiologia possui grande relevância na aplicação de compostos químicos, assim, uma droga que pode se mostrar segura em animais não-humanos, na nossa espécie pode trazer efeitos devastadores. Pequenas diferenças fisiológicas são fundamentais neste campo.

Portanto, a ideia de que o modelo animal é o melhor existente para o entendimento de doenças é um mito:

“A melhor forma para conhecer e compreender cada vez mais a espécie humana, do aspecto psicossocial ao orgânico, é realizando estudos em seres humanos” (Oliveira e Pitrez, 2010, p.68).

Infelizmente, boa parte dos cientistas não possui interesse em questionar os velhos padrões e modelos, pois acreditam que é “isso que temos e ponto final”. Com este tipo de pensamento derrotista, a ciência biomédica estagnou. Continuar repetindo um modelo que não traz resultados satisfatórios, no presente, é suicídio científico.

Referências

Hands-on DNA: A Question of Taste – Amazing facts and quiz questions (n.d.) [PDF]

CHINWALLA, Asif T. et al. Initial sequencing and comparative analysis of the mouse genome. Nature, v. 420, n. 6915, p. 520-562, 2002.

FEIJO, ANAMARIA GONÇALVES DOS SANTOS; PITREZ, Paulo Márcio Condessa; DE MACEDO BRAGA, Luisa Maria Gomes. Animais na pesquisa e no ensino: aspectos éticos e técnicos. EDIPUCRS, 2010.

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14 ideias sobre “Semelhança genética entre espécies não garante eficácia da Pesquisa Animal

  1. Danilo Oliveira

    O texto, de maneira genérica, apenas se limita a dizer que “modelos animais são pobres demais”, mas não explica nada.

    Animais mais evolutivamente próximos a nós, apenas fornecem uma analogia com a nossa fisiologia e também com nossa genética, fato esse que pode ser facilmente comprovado com tudo o que já se realizam a base de usos com modelos animais (que envolve praticamente toda a atividade médica e farmacológica moderna).

    Posteriormente, conclui que: “a ideia de que o modelo animal é o melhor existente para o entendimento de doenças é um mito”

    Será que pesquisadores afirmam realmente isso? O uso do adjetivo “melhor”, passa a impressão de que existiram “outros” (cabíveis), só que não existe…

    Por fim, novamente designar humanos como cobaias não é aplicável por N fatores. Tempo de vida do ser humano, falta de controle de vida da pessoa, ausência de linhagens genéticas para pesquisas… enfim… além da parte ética, não é mesmo? Se fosse viável, quem irá sujeitar sua mamazinha com tendência a desenvolver câncer raro para ser cobaia médica? Quem vai sujeitar seu corpo para que pesquisadores injetem substâncias as quais sequer sabem ainda dos efeitos? Quem vai, de bom grado, se sujeitar a um teste experimental inédito sobre uma nova cirurgia ou um transplante?

    Testes em animais servem justamente para isso, para fornecer parâmetros de como um organismo reage após algum procedimento invasivo ou teste de alguma substância. Por mais que testes em animais tenham suas limitações, é ser sensato e realista entendê-los como o que existe a nossa disposição. A base para essas coisas serem assim não provem da ética, provêm do fato amoral, aético, e injustificável (nesse sentido, que não requer justificativas prévias para ser como é) de que estamos programados para sobreviver. E, se temos ciência de como fazer, e não queremos morrer ou sofrer, E É O QUE SE TEM.

    O erro dessa visão, claramente, está em acreditar que a natureza é ética. Só que esse impasse só existe porque justamente está sendo visto pelo viés da ética, enquanto que o fato que gera a consequência desse impasse, não é ético e nem poderia sê-lo. Julgar que testes teriam que ser feitos em humanos ignora isso e todas as questões técnicas envolvidas em sua não adoção como um todo. Dentro de um viés ético, seria muito bonito, dentro do assumido, que humanos fizessem testes em humanos e não nos pobres animaizinhos indefesos. Mas, como a realidade, não é igual a esse raciocínio oco, a coisa é como é.

  2. Marcos Autor do post

    Danilo, seus comentários são medonhos, mas vamos lá:

    “Animais mais evolutivamente próximos a nós, apenas fornecem uma analogia com a nossa fisiologia e também com nossa genética, fato esse que pode ser facilmente comprovado com tudo o que já se realizam a base de usos com modelos animais (que envolve praticamente toda a atividade médica e farmacológica moderna).”

    – Fisiologicamente pequenas diferenças podem interferir profundamente nos resultados. Basta observar o baixíssimo valor preditivo das pesquisas com animais. E apenas verifique o fato de que cerca de 90 vacinas anti-HIV passaram na fase animal, mas falharam em humanos (Bailey, 2008), e você verá que a pesquisa animal é superestimada. Você faz isso constantemente, Danilo.

    “Tempo de vida do ser humano, falta de controle de vida da pessoa, ausência de linhagens genéticas para pesquisas.”

    – Tais “controles” foram inúteis para o desenvolvimento da vacina da varíola, por exemplo. Aliás, estou esperando até agora você ou o “facto” me explicarem como a vacina foi um sucesso, mesmo sem experimentação animal controlada.

    “Se fosse viável, quem irá sujeitar sua mamazinha com tendência a desenvolver câncer raro para ser cobaia médica?”

    – As pesquisas humanas, quando feitas com ética e rigor, são perfeitamente possíveis. Fica chato ter que repetir isso toda hora. É como falar com uma parede. Aliás, qualquer indivíduo em algum estado patológico grave, muito provavelmente, aceitaria participar de uma pesquisa que possa melhorar ou, até mesmo, curar a sua doença.

    “E, se temos ciência de como fazer, e não queremos morrer ou sofrer, E É O QUE SE TEM.”

    – Podemos muito mais. Esta visão do tipo “é o que se tem” vai contra o próprio progresso da ciência.

    “O erro dessa visão, claramente, está em acreditar que a natureza é ética.”

    – Que afirmação esdrúxula. A ética é uma exigência da vida civilizatória. Se você levar essa sua afirmação patética à risca, nem mesmo humanos teriam direitos.

  3. Danilo Oliveira

    “Danilo, seus comentários são medonhos, mas vamos lá:”

    Se acha medonho é porque não consegue encara a realidade, que não é colorida.

    “- Fisiologicamente pequenas diferenças podem interferir profundamente nos resultados. Basta observar o baixíssimo valor preditivo das pesquisas com animais. E apenas verifique o fato de que cerca de 90 vacinas passaram na fase animal, mas falharam em humanos (Bailey, 2008), e você verá que a pesquisa animal é superestimada. Você faz isso constantemente, Danilo.”

    Só tem um suposto exemplo? E toda a industria? Tudo o que já foi realizado usando animais é inútil? O que você faz é a falácia da generalização apressada. O que é um erro de raciocínio indiscutível.

    “- Tais “controles” foram inúteis para o desenvolvimento da vacina da varíola, por exemplo. Aliás, estou esperando até agora você ou o “facto” me explicarem como a vacina foi um sucesso, mesmo sem experimentação animal controlada.”

    Foram feitos testes em vacas na Variola, pois existia um contágio diferente. E novamente, se apega a uma suposta exceção e induz que é a regra. Novamente falácia da generalização apressada.

    “- As pesquisas humanas, quando feitas com ética e rigor, são perfeitamente possíveis. ”

    Dentro de um mundo ideal. Veja as condições que coloquei como exemplo. Você se sujeitaria como cobaia, assumindo TODOS OS RISCOS DE EFEITOS IMPREVISTOS DE EFEITOS COLATERAIS?

    “Fica chato ter que repetir isso toda hora. É como falar com uma parede.”

    Você não precisa repetir nada, o que você precisa é entender e parar de propagandear estultices e hipocrisia achando que tem razão. Quem efetivamente fala com a parede somos nós, pois toda hora é necessário apontar os mesmos erros anteriormente discorridos e vocês simplesmente insistem no mesmo mimimi. Quando há um diálogo sério, quando há uma informação refutada, a contraparte precisa esclarecer seu ponto. Mas isso é justamente o que vocês não fazem. Apenas repetem os mesmíssimos argumentos outrora refutados, por mais pisoteados que tenham sido. Isso sim é falar com uma porta. Mas… o errado aqui somos nós em uma coisa: Acreditar que argumentos mudam crenças fanáticas. É como disse “Thomas Paine – Discutir com um homem que renunciou à sua razão é como medicar um cadáver.”

    “Aliás, qualquer indivíduo em algum estado patológico grave, muito provavelmente, aceitaria participar de uma pesquisa que possa melhorar ou, até mesmo, curar a sua doença.”

    haha… a coisa não é assim Marcos. Ele estará sendo COBAIA. NADA saberiam ao certo dos efeitos ou de algum procedimento invasivo. É algo meramente EXPERIMENTAL.

    “- Podemos muito mais. Esta visão do tipo “é o que se tem” vai contra o próprio progresso da ciência.”

    Não, pois é o que se tem.. Da mesma forma como temos que aceitar que precisamos de combustível fóssil para inumeráveis veículos e que não temos outra fonte de energia eficiente disponível. Esse o que se tem, Marcos, é ver a realidade da situação. Não significa estagnação, significa que quem sabe do assunto, diferentemente dos ativistas, está falando com conhecimento de causa.

    “- Que afirmação esdrúxula. A ética é uma exigência da vida civilizatória. Se você levar essa sua afirmação patética à risca, nem mesmo humanos teriam direitos.”

    Não entendeu o que eu escrevi. A causa desse impasse, é porque vocês querem tratar uma consequência NATURAL (Isso é: não queremos morrer, sofrer e nem ser cobaias de experiências (caso contrário, como disse outrora, se você acha que sua vida vale menos que a de outros, vá doar imediatamente seu órgãos, certamente há alguém precisando deles agora)), pelo viés ÉTICO/MORAL. Se não há meios, a coisa fica como é. Isso não depende do homem. É totalmente diferente termos instintos de preservação, com a não realização de um suposto ato altruísta, e isso ser avaliado moralmente e eticamente. O ser humano só é ético e moral quando lhe é CONVENIENTE, quando a coisa funciona para ele também. Negar isso, é ser hipócrita. E não há problema algum nisso, pois A NATUREZA NÃO É E ÉTICA/MORAL. Como deve perceber, SOMOS PARTE DA NATUREZA, e nossa natureza, em sí mesma, não FUNCIONA dessa forma. A ética e a moral entra quando nós as IMPOMOS. Além disso, e como fator principal, ao meu entender, o simples fato de seres vivos precisarem existir, em qualquer nível, em detrimento de uma outra, é simplesmente pelo fato de NÃO DA PARA TODOS SAIREM VIVOS do jogo. Traduzindo para o caso em questão: Humanos querem benefícios, saúde, sofrer menos, visando ELES mesmos. Infelizmente, alguns animais precisaram ser sacrificados (pesquisas) por isso. É uma situação a qual a ética não se aplica, pois é um FATO QUE INDEPENDE DO SER HUMANO. Com isso, não estou querendo dizer que NÃO SE DEVE, NA MEDIDA DO POSSÍVEL, REDUZIR OU, SE POSSÍVEL, PROCURAR OUTRA FORMA DE CONSEGUIR OS RESULTADOS, MAS SIM, QUE NÃO HÁ A QUEM COBRAR RESPONSABILIDADE POR UM FATO QUE INDEPENDE DE NÓS PARA EXISTIR, QUE É O FATO PRECISARMOS SACRIFICAR ANIMAIS PARA TERMOS BENEFÍCIOS A NÓS.

    Toda a argumentação dos ativistas, SÓ, e veja bem, SÓ, faria sentido, SE EXISTISSE EFETIVAMENTE UMA FORMA DE NÃO REALIZAR TESTES, e isso, meus caros, é justamente o que não se mostra uma realidade factível (principalmente por tudo o que existir ser meramente complementar as pesquisas), por mais que desejem. E é ai, nesse assunto, que acabam por saírem da realidade, e abraçarem a crença na ética. Uma crença, ideologia, jamais poderá ficar acima da realidade. A realidade não é o nosso pensamento. E não é a lógica, a razão, ou a coerência que, isoladamente, fazem algo além de serem meras ferramentas humanas.

  4. Marcos Autor do post

    Danilo,

    “Só tem um suposto exemplo? E toda a industria? Tudo o que já foi realizado usando animais é inútil? O que você faz é a falácia da generalização apressada. O que é um erro de raciocínio indiscutível.”

    – Em que momento eu afirmei que toda a pesquisa animal foi inútil na história da ciência? Na verdade, quando não sabíamos praticamente nada sobre a anatomia e fisiologia, houve utilidade. Todavia, no estágio científico atual, a pesquisa animal tem atrasado a descoberta de curas das doenças que mais matam no mundo. E não é só a AIDS não, é o câncer, esclerose múltipla, doenças cardíacas, Alzheimer, Parkinson, psoríase, vitiligo e demais doenças de pele, doenças mentais, LES, entre tantas outras patologias que comprovam, irrefutavelmente, que o modelo animal não é o melhor para a busca da promoção da saúde humana. E no âmbito da prevenção, sim, inutilidade é uma palavra que serve bastante para a experimentação animal, afinal, dar um medicamento é uma solução paliativa.

    “Foram feitos testes em vacas na Variola, pois existia um contágio diferente. E novamente, se apega a uma suposta exceção e induz que é a regra. Novamente falácia da generalização apressada.”

    – Nenhum teste controlado foi feito em nenhum animal, para o desenvolvimento da vacina da varíola. Apesar da inoculação do pus das vacas, Jenner, em momento algum, realizou testes controlados em animais não-humanos:

    “É interessante notar que o estudo de Jenner foi completamente baseado em observações em seres humanos e experimentos envolvendo animais não contribuíram de forma alguma nesses resultados.” (Andrade e Oliveira, 2002)

    “haha… a coisa não é assim Marcos. Ele estará sendo COBAIA. NADA saberiam ao certo dos efeitos ou de algum procedimento invasivo.”

    – Cobaias todos somos quando tomamos um medicamento que está no mercado, sabia disso?

    “É uma situação a qual a ética não se aplica, pois é um FATO QUE INDEPENDE DO SER HUMANO.”

    – Quando falei que seus comentários são assustadores, era disso que estava falando. A sua ignorância é medonha. A experimentação animal é um método que depende do homem, pois nós que o criamos. Aliás, preciso falar uma coisa tão óbvia? A ética depende do ser humano.

    O problema Danilo é que todo este seu papo de querer afirmar que a “natureza” não é moral nem ética, não resolve problema nenhum, pois se fôssemos levar o seu argumento à risca, não haveria leis, direitos ou legislação alguma para HUMANOS. E se não me engano você saiu falando mal do anarquismo em outro post… Se pra você a natureza não se importa com “nada” (na verdade dizer isso é um contrassenso absurdo, é um princípio auto-refutante, pois acaba por afirmar que as leis da natureza se originam em algum tipo de vontade ou intenção mística), então desista do bem-estar humano também, pois este conceito nós buscamos.

    A sua postura agressiva, sarcástica, irônica, já revelou a sua verdadeira face: o seu problema com a causa animal é de cunho pessoal e emocional, e não lógico.

  5. Danilo Oliveira

    “- Em que momento eu afirmei que toda a pesquisa animal foi inútil na história da ciência? ”

    Em que momento eu disse que você afirmou isso? Se dissesse, já teria dado por encerrado o diálogo.

    “Todavia, no estágio científico atual, a pesquisa animal tem atrasado a descoberta de curas das doenças que mais matam no mundo.”

    Atrasado, como, se esse é o meio que fornece a base das experiências?

    “E não é só a AIDS não, é o câncer, esclerose múltipla, doenças cardíacas, Alzheimer, Parkinson, psoríase, vitiligo e demais doenças de pele, doenças mentais, LES, entre tantas outras patologias que comprovam, irrefutavelmente, que o modelo animal não é o melhor para a busca da promoção da saúde humana. ”

    Que distorção Marcos! Estudos com todas essas doenças são feitos, de forma ou de outra, com animais. Tanto que existem LINHAGENS GENÉTICAS PARA ESSAS ENFERMIDADES. E NOVAMENTE, o modelo animal, É O QUE SE DISPÕE. NÃO EXISTE OUTRO MEIO VIÁVEL (citar modelos de computador, testes em vitro, e testes em humanos só irá evidenciar o quanto você é tapado, pois isso já foi esmerilhado, e isso por especialistas que, sejamos francos, tem total autoridade para falar sobre esse assunto, diferentemente de ativistas animais, que são os menos indicados). Se existe, mostre para o mundo e fique rico negão! O que você parece fazer, é só seguir o seu provável livro de cabeceira de autoria do Greek lá. Um cara que não se conhece nada. Que é um zé ninguém no mundo científico. E, segundo informações ( vou procurá-las! quando tiver mais tempo), os únicos artigos que ele tem publicado em periódicos cinetíficos são meramente de cunho filosófico, e não experimental. Também, puderá. Greek, é médico, não algum cientista de áreas que atuam diretamente nessa parte, como a bioquímica.

    “- Nenhum teste controlado foi feito em nenhum animal, para o desenvolvimento da vacina da varíola. Apesar da inoculação do pus das vacas, Jenner, em momento algum, realizou testes controlados em animais não-humanos:

    “É interessante notar que o estudo de Jenner foi completamente baseado em observações em seres humanos e experimentos envolvendo animais não contribuíram de forma alguma nesses resultados.” (Andrade e Oliveira, 2002)”

    OK, agora tenha em mente o seguinte: ISSO SÃO AS EXCEÇÕES, NÃO A REGRA. Insistir nisso, é a falácia da generalização apressada. Além de ser um argumento muito, muito fraco.

    “- Cobaias todos somos quando tomamos um medicamento que está no mercado, sabia disso?”

    Se para você, usar substâncias as quais já se tem conhecimentos dos efeitos é o mesmo que usar substâncias sem ter conhecimento dos efeitos, então, só posso dizer para você se informar a respeito do assunto.

    Como sua resposta foge totalmente do âmbito da pergunta, devo pensar que você fugiu do seu raciocínio da minha resposta a sua réplica.

    “- Quando falei que seus comentários são assustadores, era disso que estava falando. A sua ignorância é medonha. A experimentação animal é um método que depende do homem, pois nós que o criamos. Aliás, preciso falar uma coisa tão óbvia? A ética depende do ser humano. ”

    Você sequer entendeu o que eu escrevi…

    Me refiro que a base, o FATO OBJETIVO, da NECESSIDADE de assim fazermos uso de animais, repousa em um fato AMORAL, AÉTICO, e que NÃO DEPENDE DO SER HUMANO. Que é justamente o fato de querermos VIVER, não querermos SOFRER, e, justamente por isso, optarmos por colocar o bem estar de outros em detrimento do nosso. Traduzindo, usa-se animais (na realidade, isso serve para qualquer condição humana, visto que não existe ética, moralidade objetiva, apenas subjetiva) pois o ser humano assim julgou conveniente. Isso, é evidentemente, anterior ao estabelecimento de uma conduta moral e ética. Eu não estou me referindo a períodos históricos, ou querendo estabelecer justificativas com base na natureza, mas sim, apenas reconhecendo, que ela – o que inclui a nossa condição, evidentemente – não se subordina a ética. Em outras palavras, a nossa natureza é intrinsecamente irracional. Faria tanto sentido julgar um homem por preferir sua existência a de outrem (me refiro a inclinação instintiva), quanto julgar uma pessoa que é cega de não poder enxergar. Ou seja, é querer tratar um aspecto natural e irracional como se fosse algo racional. A ética só entra (pois é uma coisa inventada, estabelecida), quando seres humanos começam a fazer acordos entre sí do que julgar o “certo” do “errado” com base preferencialmente em um bem em comum. Incluir animais nesses critérios é algo recente e evidentemente trata-se de uma “ética fechada” nela mesma, pois, ao contrário de nós, não existe reciprocidade animal e nem precisaria, para essa funcionar, bastando pessoas, por seus motivos, preocupados com o bem estar dos mesmos. No entanto, da mesma forma como não existe ninguém coerentemente ético (pois isso é logicamente impossível, visto a existência de impasses e conflitos entre opções que se excluem mutuamente), não existe, ou pode existir, a possibilidade, honesta, de uma pessoa sentir-se compelido a se empenhar a ser coerentemente ético com animais, pois isso é algo que precisa partir da própria pessoa, e não a pessoa ser coagida a ser assim (coisa que vocês se dedicam a fazer). Pessoas que assim agem, ou se deixam influenciar, acabam não se identificando com essa causa emocionalmente e , por conseguinte, desiste de fazê-la EM PROL DE SEUS INTERESSES! Me usando como exemplo, eu não seria um bom vegano. Não apenas pelo abandono da carne, mas pelo penoso trabalho de ficar fazendo combinações de grãos, o que tem carboidrato, o que não tem, o que tem ferro, o que tem cálcio, suplementos estúpidos para vitamina B12, minhas necessidades nutricionais específicas, disponibilidade de locais acessíveis para se ter acesso a tudo isso, estudar detalhadamente uma dieta adequada e, não menos importante, o custo de tudo isso (que não é barato)! Da parte ética, eu gosto de animais, mas, francamente, não me identifico nem um pouco a sentir contentamento a fazer todo esse trabalho para entrar em um estatísticas apenas pois me sentir “realizado” por isso. Como se tivesse fazendo tamanha diferença mais do que faria em uma eleição ou em um estúpido jogo de loteria. Nada mais seria do que uma auto ilusão… tá bem… nem isso eu teria. Em suma, seria um fardo viver dessa forma sem me identificar com isso. Tudo o que poderia fazer, e indiretamente até faço, seria não comer carne quando não tem (tá, isso é algo meramente acidental e não intencional, mas…). Além disso tudo, como é óbvio e eu já disse outras vezes, sempre que TODOS vamos comer carne o animal já morreu, e nada há a se fazer. Qual juízo a se ter por uma morte desnecessária? As únicas opções são comer, ou deixar apodrecer, pois, ele não irá ressuscitar, obviamente. Não que isso seja argumento de desmotivação, é apenas um fato indiscutível.

  6. Danilo Oliveira

    Esqueci da última réplica:

    “O problema Danilo é que todo este seu papo de querer afirmar que a “natureza” não é moral nem ética, não resolve problema nenhum, pois se fôssemos levar o seu argumento à risca, não haveria leis, direitos ou legislação alguma para HUMANOS.”

    Já explicado acima.

    “E se não me engano você saiu falando mal do anarquismo em outro post… Se pra você a natureza não se importa com “nada” (na verdade dizer isso é um contrassenso absurdo, é um princípio auto-refutante, pois acaba por afirmar que as leis da natureza se originam em algum tipo de vontade ou intenção mística)”,

    Evidentemente! Da mesma forma como é um absurdo acreditar na ética enquanto nossa natureza opera de modo aético.

    “então desista do bem-estar humano também, pois este conceito nós buscamos.”

    Então, presumo, que saiba responder com o resolveriam um impasse qualquer de quando uma vida humana dependeria de outra de um animal?

    “A sua postura agressiva, sarcástica, irônica, já revelou a sua verdadeira face: o seu problema com a causa animal é de cunho pessoal e emocional, e não lógico.”

    Não tenho problema algum com a causa animal, mas com o discurso que vocês apregoam! Repudio veementemente qualquer postura que se limite a apresentar factoides e ainda querem pregar para outros como verdade absoluta.

  7. Marcos Autor do post

    Danilo, as pesquisas com animais possuem as suas limitações, como já apontadas no seguinte artigo:
    https://oholocaustoanimal.wordpress.com/2014/03/31/as-limitacoes-e-os-perigos-da-experimentacao-animal/

    Os fatores, como já ditos, são principalmente o baixo valor preditivo e as diferenças fisiológicas, que mesmo quando mínimas, influenciam nos resultados.

    É evidente que a melhor forma para compreender uma patologia é estudando a nossa própria espécie. Na área da Psicologia, por exemplo, as variáveis psicossociais que não estão presente em um laboratório, fazem com que o modelo animal seja praticamente irrelevante clinicamente.

    Se a vacina da varíola foi produzida sem nenhuma pesquisa animal controlada, isso já derruba a sua tese: que é impossível fazer ciência sem experimentação animal. Realmente não consigo compreender qual é a sua suprema dificuldade em aceitar estes fatos. Aceitar as limitações e os erros que o modelo animal vêm trazendo. Da mesma forma que não tem promovido a saúde humana, o investimento em um modelo preventivo, que é realmente eficaz, tem sido ignorado por boa parte das pessoas. Qualquer centro de saúde sabe que a prevenção é um fator chave para uma nação mais saudável.

    Os seus ataques ao Ray Greek são impróprios e revelam que a sua ideia é dirigir ataques pessoas, ao invés de rebater os argumentos dele. O Greek possui uma vida acadêmica sobre os estudos da validade da pesquisa animal.

    Quanto a ética, comentar qualquer outra coisa será inútil, pois a sua postura já provou ser dogmática.

    Assiste se puder:

  8. Danilo Oliveira

    “Danilo, as pesquisas com animais possuem as suas limitações, como já apontadas no seguinte artigo:”

    Limitações não são o problema, todo experimento científico, em todas as áreas científicas tem suas limitações, e isso não deveria ser espanto para ninguém. A questão é querer inutilizar algo com base nas limitações, e não em sua potencialidade. Além de, ser essencialmente a base das pesquisas.

    .”Os fatores, como já ditos, são principalmente o baixo valor preditivo e as diferenças fisiológicas, que mesmo quando mínimas, influenciam nos resultados.”

    E nem por isso, se verdade, deixariam de ser úteis. O telescópio espacial Bubble tem uma limitação de alcance. Pelo seu raciocínio, a ciência deveria deixar de utilizá-lo, pois ele não é “perfeito”.

    “É evidente que a melhor forma para compreender uma patologia é estudando a nossa própria espécie.”

    Já refutado outrora, e você volta com a mesma ladainha.

    “Na área da Psicologia, por exemplo, as variáveis psicossociais que não estão presente em um laboratório, fazem com que o modelo animal seja praticamente irrelevante clinicamente.”

    Que legal! Só que se você se estender a afirmar coisas de outras áreas, como se todas representassem esse caso, já sabe qual o nome da falácia estará comentendo né?

    “Se a vacina da varíola foi produzida sem nenhuma pesquisa animal controlada, isso já derruba a sua tese: que é impossível fazer ciência sem experimentação animal. ”

    Eu não disse me momento algum que é impossível, apenas que apontar limitações isoladas e fazer generalizações nada mais representa do que uma falácia. Você sim, por outro lado, quer dar a entender que toda e qualquer pesquisa pode ser completamente substituida por “métodos alternativos” que nunca são revelados.

    “Da mesma forma que não tem promovido a saúde humana…”

    Há inumeráveis pessoas no Brasil e no mundo que dependem dos mais vária dos medicamentos para vários tipos de enfermidade. De que forma que isso não é benéfico para a saúde humana?

    “…o investimento em um modelo preventivo, que é realmente eficaz, tem sido ignorado por boa parte das pessoas. ”

    Ora, segundo vocês eles já não existem? E a maldosa ciência junto com o demoníaco capitalismo que, sabe-se lá Zeus porque, não fazem uso e preferem usar animais?

    Ao contrário desse mimimi ad nauseam, há sim, interesse científico e de comitês de ética na existência de modelos alternativos, a questão é que eles não servem para tudo que abrange o uso de animais, sendo os testes em animais, necessários. Me espanta que alguém leve a sério que um software possa substituir um organismo vivo. Só como um parâmetro, há projetos de computação compartilhada que usam até mesmo videogames (Playstation 3 https://folding.stanford.edu/ ) usados para sequenciar proteínas (há vários outros), eles apenas são PARTES DE TODO UM PROCESSO, não são o fim dele. Não há como simular, nem seria totalmente confiável, todos os processos de interação biomoleculares em um software e esperar que isso se corresponda de maneira confiável a um organismo usado em uma pesquisa. Além de todo o processamento necessário. Esses procedimentos só seriam uma etapa para ser testado depois em um organismo. Se vocês julgam que um animal não oferece segurança como analogia para se fazer testes em humanos, querer comparar toda a fisiologia humana a um software, é evidentemente menos seguro (além de ser um juízo totalmente leviano).

    “Os seus ataques ao Ray Greek são impróprios e revelam que a sua ideia é dirigir ataques pessoas, ao invés de rebater os argumentos dele.”

    O ataquei. E fiz justamente porque os artigos que pesquisei dele, limitaram-se a ser reflexões filosóficas sobre ética e direitos animais, e não informações cientificas.

    “Quanto a ética, comentar qualquer outra coisa será inútil, pois a sua postura já provou ser dogmática.”

    Inversão dos papéis. O que expus foi uma reflexão sobre o assunto, e diferentemente de vocês, aceito refutações, se essas sobreviverem ao escrutínio de sobrevier a realidade. A sua postura sim que é dogmática. Veja como é incoerente, me acusa acima de atacar o Greek, e o que você mais faz aqui é o quê? Diga, Marcos, minimamente o que há de ético em tal comportamento (mas responta, viu? Não vai fingir que não leu como você faz)?

  9. Marcos Autor do post

    Danilo, “mimimi”, esse é o seu nível de argumento? Continuou vomitando bobagens infundadas. Você diz que há sim “interesse científico” em desenvolvimento de métodos alternativos. Então, vamos, me conte: qual é o orçamento do governo dos EUA e do Brasil em pesquisas substitutivas – afinal, se o interesse é tanto, deve haver bilhões de investimento. Estou esperando você me trazer estes dados.

  10. Danilo Oliveira

    “Você diz que há sim “interesse científico” em desenvolvimento de métodos alternativos.”

    Sim, não haveria porque não ter, se tais efetivamente proporcionarem avanços com relação as pesquisas.

    “Então, vamos, me conte: qual é o orçamento do governo dos EUA e do Brasil em pesquisas substitutivas – afinal, se o interesse é tanto, deve haver bilhões de investimento. ”

    Não faço a menor ideia. Nem imagino o quanto que isso efetivamente também possa ser possível e qual a prioridade isso deveria ter, visto que o modelo atual, para a infelicidade dos ativistas, satisfaz o necessário para o uso e, tecnicamente, não há qualquer inviabilidade empírica para continuar a usar animais (ao contrário do que vocês propagam).

    E perceba outra implicação absurda dessa sua pergunta retórica:

    Assumindo que “não há interesse científico em procurar métodos alternativos”, será que podemos deduzir disso que eles… simplesmente… não existem (nos moldes nebulosos, milagrosos e inefáveis que vocês afirmam)? Pois, se existissem, qual a razão para acusar a ciência e governos de…. não desenvolvê-los?

    Quem agora vai fazer uma pergunta sou eu, Marcos (e para meu espanto, eu espero que minha pergunta não resulte na mesma retórica que a sua):

    Apresente uma lista que dos “métodos alternativos” (por favor, exclua, no caso da farmacologia, testes em vitro, modelos computacionais e testes em humanos, pois parece claro que já foram apontados que, ou são complementares, ou inviáveis) existentes e quais as vantagens identificadas em que eles já superaram o uso completo de organismos vivos como modelo.

    Estou esperando você me trazer estes dados, tá bom?

  11. Marcos Autor do post

    Danilo, você não faz a “menor ideia”? Eu quero fatos, não especulação. Poderia mesmo falar dos métodos alternativos e dizer que é preciso de orçamento, empenho e dedicação, para que eles sejam aperfeiçoados, mas nada disso vai adiantar. Você especula, inventa, distorce e ainda rejeita dados reais. Por esta razão, não tem como continuar debatendo com você – mais uma vez.

  12. Danilo Oliveira

    “Danilo, você não faz a “menor ideia”? Eu quero fatos, não especulação.”

    Não fiz especulação alguma, pois não fiz qualquer aferição sobre como isso seria, ou é tratado comercialmente. E nem de onde tirar essas informações, que, imagino, deveriam estar embasadas em algo, afinal, quem alega que não existiriam tais investimentos, são vocês.

    No caso, apenas me limitei a associar o fato de nada apresentarem do que se entender como “métodos alternativos”, com sua inexistência (que pesquisadores independentes também reconhecem). Você alegar “falta de investimento”, já pressupõe que tais “métodos alternativos”, não existem, logo, não faz sentido cobrar autoridades de usar animais, pois, como já dito incansavelmente: É O QUE SE TEM!

    “Poderia mesmo falar dos métodos alternativos e dizer que é preciso de orçamento, empenho e dedicação, para que eles sejam aperfeiçoados, mas nada disso vai adiantar.”

    Vou entender isso como uma nítida esquiva de sua parte, associada com uma suposta justificativa de eu “recusar gratuitamente o que você dirá”. Perceba que esse julgamento preconceituoso partiu unicamente de você, então, a responsabilidade de se eximir de responder, é toda sua. Ao contrário do que você diz, se existisse mesmo um método capaz de substituir um organismo vivo completo, seria completamente inegável!

    Lhe dou mais uma chance, apresente uma lista (citando a fonte, evidentemente) de quais métodos possam fazer tal milagre e como eles funcionam.

    “Você especula, inventa, distorce e ainda rejeita dados reais. Por esta razão, não tem como continuar debatendo com você – mais uma vez.”

    Falácia do espantalho.

  13. cdonferreira

    Mais do que qualquer outra coisa, a ideia da semelhança genética nos indica que todos viemos de um ancestral em comum. Uma célula ancestral, cujos descendentes foram se diferenciando pelos caminhos por onde vida conseguiu se embrenhar.

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