Experimentação animal em Psicologia – abusos, fraudes e perda de tempo

A ciência da psicologia comportamental utiliza animais humanos e não-humanos para a compreensão do comportamento e dos processos mentais, através da investigação chamada de pesquisa cognitivo-comportamental.

As pesquisas cognitivo-comportamentais são consideradas uma das mais cruéis, entre todas as práticas dos testes com animais.
As pesquisas cognitivo-comportamentais são consideradas umas das mais cruéis áreas, entre todas as práticas dos testes com animais.

De acordo com a Psychology Today, “O estudo do comportamento animal é uma pedra angular da psicologia experimental, nos possibilitando compreender emoções humanas complexas”. [1] Assim, os animais são comumente usados na Psicologia como modelos de mente e comportamento humano, especialmente em condições psiquiátricas e doenças neurológicas. Em uma revisão do modelo animal na Psicologia, o Dr. Kenneth Shapiro afirmou:

“… os psicólogos têm tentado desenvolver um modelo animal para praticamente todos os problemas conhecidos da condição humana, mesmo que possuam alguma conexão psicológica remota.” [2]

Na busca por informações sobre os processos cognitivos, doenças mentais, distúrbios de memória, sistema sensorial do corpo e sobre o funcionamento do sistema nervoso central, os animais são submetidos a experiências de visão, audição, percepção da dor, fome, sede, reprodução fetal e desenvolvimento, medo, estresse, agressividade, desamparo aprendido, privação materna, uso de cigarros, drogas, álcool e dependência, além de algumas toxinas ambientais. Nas pesquisas relacionadas com o sistema nervoso central, os animais são usados para o estudo de “processos de recuperação após dano neural; correlatos biológicos de medo, ansiedade e outras formas de estresse; efeitos subjetivos e dependência de drogas psicotrópicas [pela administração de medicamentos para humor], e mecanismos que controlam a alimentação e outros processos motivacionais”. [3]

No intuito de obter um modelo animal de depressão, ansiedade, estresse pós-traumático, transtorno obsessivo-compulsivo, alcoolismo, autismo, esquizofrenia, anorexia, toxicodependência, ou lesão da medula espinhal, tais condições são induzidas em laboratório. Isso é atingido através da manipulação do comportamento e do meio ambiente, ou por procedimentos invasivos para o cérebro e para corpo, ou por engenharia genética. Os animais são submetidos à privação de comida, água, sono, isolamento social, separação da mãe, choques elétricos, contenção física, amputação de membros e danos cerebrais através do uso de eletrodos implantados cirurgicamente no cérebro.

Para estudar o comportamento, a pesquisa psicológica exige que os animais estejam conscientes e, por isso, ela pode ser considerada a forma mais cruel de experimentação animal, devido ao alto nível de sofrimento e dor envolvidos. Os animais podem permanecer em sofrimento durante um longo período de tempo, uma vez que são submetidos a procedimentos invasivos que, logo em seguida, devem servir para o estudo dos resultados de tais “ferimentos”.

De acordo com a Associação Americana de Psicologia (APA), “Embora a variedade de espécies tem sido utilizada em vários estudos, em psicologia cerca de 90-95% dos animais utilizados são ratos e roedores, além de pombos. Apenas 5% dos animais são macacos ou outros primatas. O uso de cães e gatos é raro”. Os roedores e ratos não são cobertos pela Lei de Bem-Estar Animal, assim, não são contabilizados pelas estatísticas do governo e, portanto, o número exato de animais usados em psicologia é desconhecido [4]. Além disso, experiências têm demonstrado que gatos, cães e primatas não-humanos, são submetidos a grande sofrimento e angústia.

Por exemplo, os gatos têm sido usados em pesquisas de privação visual, fisiologia das cores, e privação de sono. A NEAVS realizou investigações na Universidade de Bonston e Harvard, revelando estudos financiados pelo governo federal. Muitos gatos eram usados em pesquisas que duravam até 5 anos, envolvendo danos cerebrais e alterações cirúrgicas – ter os olhos costurados, inflamação do esôfago, implantação de eletrodos nos olhos, cérebros e músculos. Os pesquisadores usavam cães para um modelo de depressão e desamparo aprendido. Eles eram colocados em jaulas de piso elétrico, sem escapatória, o que levava a um sofrimento extremo. Isso resultou em depressão, medo e sintomas psicóticos. Já os primatas não-humanos têm sido utilizados para o estudo de agressão, privação visual, social, materna e ambiental, e de toxicodependência.

Áreas comuns da pesquisa comportamental

Abuso de drogas e vício

Os animais são forçados a se tornar viciados em drogas – heroína, cocaína, maconha, morfina, anfetaminas, barbitúricos, tranquilizantes, álcool e tabaco. Embora a maioria dos animais não-humanos possuam aversão natural ao álcool ou tabaco, eles são forçados a ingeri-los, ou tornam-se dependentes por alguma modificação genética. A criação artificial do vício em animais tem trazido poucas melhoras dos problemas de dependência em qualquer país. Animais nem sempre respondem a substâncias que causam dependência em seres humanos, eles também não experimentam as mesmas condições psicossociais que desempenham um papel importante na dependência humana. O famacologista Vincent Dole declarou em 1986:

“Cerca de 60 anos de alcoolismo induzido em animais, não produziram conhecimentos fundamentais sobre as causas do comportamento autodestrutivo do beber patológico.” [5]

Apesar do fracasso, o uso dos animais nesta área de pesquisa continua acontecendo há décadas. Enquanto isso, programas de prevenção e reabilitação, para seres humanos, têm recebido muito pouco investimento, e pior: o número de pessoas que consome drogas permanece inalterado ou, em alguns casos, está aumentando. De acordo com uma pesquisa nacional feita em 2009 [6], “Entre 2002 e 2009, o número de pessoas dependentes de álcool e drogas lícitas ficou estável (22 milhões em 2002 e 22,5 milhões em 2009).” No entanto, “a taxa atual de uso de drogas ilícitas, entre pessoas com idade de 12 anos ou mais (8,7%), cresceu em 2009, em relação a 2008 (8%)”, e dos mais de 20 milhões de pessoas que necessitaram de tratamento em 2009, apenas “2,6 milhões foram tratadas em centros especializados.”

Em 2006, os americanos pagaram um total de 57,500 milhões de dólares para os serviços de saúde mental, o que “coloca os gastos com saúde mental como terceira problema médico mais caro, atrás apenas de doenças, acidentes e câncer”. [7] O Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH) afirmou:

“Muito do que entendemos [na área de problemas de saúde mental e tratamento] vem da pesquisas epidemiológicas, do estudo científico [natural] dos padrões de doenças na própria população. Pesquisas demonstram que milhões de pessoas nos EUA são afetadas por transtornos mentais comuns, porém, apenas uma pequena parcela recebe tratamento.” [8]

Estudos de privação materna

Com financiamento de verbas federais, a maioria dos estudos de privação materna foi realizada pelo falecido Harry Harlow e seus colaboradores, na Universidade de Wisconsin, no início de 1958. Estas experiências “afetivas”, de macacos filhotes separados de suas mães ao nascimento, trazem um esforço para a determinação de quais fatores são responsáveis pela ligação mãe-filho. Os recém-nascidos, são expostos à fatores estressantes, incluindo “monstros mecânicos” – para ver se eles iriam fugir para às suas mães de aluguel. Harlow também separou bebês de suas mães por plexiglass (tipo de vidro), onde eles podiam se ver, mas não podiam se tocar. Estes estudos afetivos, que Harlow admitiu, “aterrorizaram” os macacos filhotes, envolvendo o uso de 100 animais e custou 14 milhões de dólares, [9] onde 96% do valor veio do NIH (Instituto Nacional de Saúde). [10]

Harlow também fez experiências de separação. Nestas pesquisas, ele separou macacos bebês de suas mães no momento do nascimento, os submetendo à isolamento parcial ou total. Alguns filhotes passaram os primeiros 24 meses de vida no que foi denominado de “poços de desespero” – câmaras de aço fechadas, sem luz ou qualquer tipo de contato exterior. Após 2 anos, Harlow descreveu estes macacos como “completamente destruídos”. Os macacos rhesus tiveram o desenvolvimento prejudicado. Os animais do sexo feminino tiveram seus instintos naturais de socialização, com seus companheiros, suprimidos. Em uma série de estudos, Harlow colocou os filhotes com mães de veludo. Usando vários dispositivos para assustar os filhotes, ele mostrou que os bebês se agarram em qualquer objeto tátil que lhes oferecesse conforto. Então ele criou “mães monstro”, que emitiam choques violentos, que abalavam a estrutura dentária dos macacos. As próprias palavras de Harlow, “mães monstro” ou “poço de desespero”, oferece-nos não apenas uma visão confessa do aspecto sádico da sua pesquisa, mas da sua falta absoluta de consciência moral. Estes estudos de privação materna trouxeram um sofrimento emocional severo em mais 1.300 animais (incluindo 1.110 primatas e 202 cães), com o investimento de 95 milhões de dólares, [11] em impostos federais. Em 1996 um estudo de revisão de todos os experimentos de privação materna concluiu que, até aquela data, mais de 7 mil animais – em sua maioria primatas, mas também cães, gatos e roedores – foram submetidos a esse tipo de pesquisa, totalizando em 118 milhões de dólares [12], financiados pelo governo federal, principalmente através do NIH e do NIMH. [13]

Os colaboradores de Harlow e outros pesquisadores do país continuam recebendo financiamento federal para estudos de privação materna, separação, depressão e ansiedade, em animais. Gene Sacket, da Universidade de Winsconsin, admitiu que essas pesquisas possuem valor teórico, mas “poucos resultados podem ser clinicamente aplicados a seres humanos”. [14]

Doenças que afetam o comportamento e a emoção, como Alzheimer e Parkinson

Existem várias áreas de pesquisa, que foram desenvolvidos em nome da pesquisa biomédica e cognitivo-comportamental. Certos processos patológicos possuem um componente neurológico que afeta as emoções do indivíduo e a área cognitiva, comportamental ou social. Nestes campos, as ciências exatas (biologia, neurologia, genética, etc) e as ciências humanas (psicologia, neuropsicologia), se envolvem nos mesmos protocolos. Estas áreas de pesquisa, como a doença de Alzheimer e de Parkinson, têm o objetivo de criar modelos de doenças encontradas somente na espécie humana. Os cientistas tentam causar um processo patológico em animais não-humanos, quer seja através de danos cerebrais ou da medula espinhal, inoculação viral suspeita de ocasionar doenças como esclerose múltipla (uma doença fisiológica com efeitos cognitivo-comportamentais graves), ou por qualquer outro modelo artificial para um modelo de doença. A base científica para toda “a criação de um modelo animal”, que imita os sintomas humanos, tem sido contestada por cientistas que argumentam que tais técnicas pode nos dizer nada sobre as doenças, mesmo que ocasione os mesmos sintomas visíveis. Por exemplo, infligindo certos tipos de dano cerebral em ratos, eles podem apresentar tremores parecidos com Parkinson, mas isso não nos diz nada sobre as causas e a progressão do mesmo sintoma em seres humanos. Como Shapiro afirma em sua crítica:

“Enquanto um cão ou rato podem ficar deprimidos, nem as causas, nem mesmo o curso e a forma da depressão se assemelham em todos os aspectos da doença em um ser humano.” [15]

Um exemplo preocupante de um modelo animal inútil vem de estudos que tentam criar bulimia em animais (um transtorno alimentar caracterizado pela restrição alimentar, compulsão e vômitos provocados). Por meio de um procedimento chamado de “alimentação falsa”, os pesquisadores produzem cirurgicamente uma passagem ou ligação anormal, à partir do estômago até a pele. Eles inserem um tubo de aço inoxidável ou cateter na passagem, através dos quais grandes quantidades de alimentos são retiradas através de uma bomba, impedindo a absorção de nutrientes. Tal procedimento é realizado em vários animais, especialmente em cães, macacos, coelhos, gatos e ratos, ocasionando um período prolongado de dor e desconforto, além dos processos de cirurgia e recuperação necessários. [16] Estes modelos de animais nos oferecem nada mais do que um sofrimento grave e uma representação meramente mecânica de uma doença que, em seres humanos, possui fatores fortemente psicossociais, bem como componentes biofisiológicos, que não podem ser reproduzidos em outras espécies.

Conclusão

O uso de animais no campo da psicologia é indefensável cientificamente, mesmo que queiram que acreditemos no contrário. Talvez um dos exemplos mais notáveis e, também, chocante, desta realidade, é o “desamparo aprendido”, realizado por Martin Seligman, com início na Universidade da Pensilvânia em 1967, que foi considerado por muitos, na época, um experimento cruel. O uso de cães na pesquisa foi totalmente desnecessário. Infelizmente, soldados de combate e vítimas de violência doméstica já estavam disponíveis para os pesquisadores, que poderiam verificar os efeitos de um trauma recorrente e inevitável. Um modelo animal para esta condição é um desperdício de tempo, além de ser notoriamente cruel para os cães, que ficavam gemendo, defecando e sacudindo freneticamente – pateticamente agachados, enquanto suportavam uma descarga elétrica inevitável.

Nos estudos com macacos de “desaferentação” (dor neuropática ocasionada por alguma lesão ao sistema somatossensorial), feitos pelo neuropsicólogo Edward Taub, envolviam choques para “motivar” os macacos a utilizarem o braço paralisado, enquanto o braço bom ficava enfaixado contra o próprio corpo. Vítimas humanas paralisadas por acidentes, infelizmente, são numerosas e estão bastante dispostas a participar de terapias que podem recuperar seus membros afetados. Sem o uso de choques, os seres humanos possuem alta motivação. Taub, como resultado de uma investigação secreta, foi considerado culpado de crueldade contra os animais sobre as leis do Estado. No entanto, como a sua pesquisa foi financiada pelo governo federal, as leis estaduais não se aplicaram ao tribunal, anulando a decisão tecnicamente legal.

Seligman e Taub são ícones não apenas de dor e sofrimento na pesquisa comportamental, mas também, e de forma trágica, péssimos profissionais da psicologia, que se recusa a trazer verdadeiros padrões éticos para os seus pesquisadores. Na verdade, a área cobre atos cruéis, com aclamação profissional e prestígio. Em 1998, a APA elegeu Seligman como presidente, “com uma margem de votos histórica”. Em 2004, a APA concedeu a Taub o Prêmio Científico pelos seus estudos na psicologia.

Referências

[1] Psychology Today. (n.d.). Animal Behavior.

[2] Shapiro, K. (1998). Animal Models of Human Psychology. Seattle, WA: Hogrefe & Huber Publishers.

[3] American Psychological Association. (n.d.). Research with Animals in Psychology. [PDF]

[4] Shapiro, K. (1998). Animal Models of Human Psychology. Seattle, WA: Hogrefe & Huber Publishers.

[5] Medical Research Modernization Committee. (2006). A Critical Look at Animal Experimentation. [PDF]

[6] Substance Abuse and Mental Health Services Administration. (2010). Results from the 2009 National Survey on Drug Use and Health: Volume I. Summary of National Findings (Office of Applied Studies, NSDUH Series H-38A, HHS Publication No. SMA 10-4856Findings). Rockville, MD.

[7] National Institute of Mental Health. (n.d.). Statistics.

[8] Ibid.

[9] CoinNews Media Group LLC. (n.d.). U.S. Inflation Calculator.

[10] Stephens, M. (1986). Maternal Deprivation Experiments in Psychology: A Critique of Animal Models.

[11] CoinNews Media Group LLC. (n.d.). U.S. Inflation Calculator.

[12] CoinNews Media Group LLC. (n.d.). U.S. Inflation Calculator.

[13] Stephens, M. (1986). Maternal Deprivation Experiments in Psychology: A Critique of Animal Models.

[14] Ibid.

[15] Shapiro, K. (1998). Animal Models of Human Psychology. Seattle, WA: Hogrefe & Huber Publishers.

[16] Ibid.

Fonte: neavs

Anúncios

12 respostas para “Experimentação animal em Psicologia – abusos, fraudes e perda de tempo”

  1. Tortura institucionalizada. Não tem outro nome pra isso. E o reconhecimento desses torturadores cruéis com prêmios e altos cargos só expõe o lobby que existe por trás da experimentação animal.

  2. Haja preparo mesmo Pedro! Foi difícil e extremamente angustiante traduzir esse artigo. Que a verdade mostrada aqui seja apenas o primeiro passo para que essa situação mude de uma vez por todas.

  3. Olá!
    Onde você conseguiu o livro do Shapiro?
    Tô tentando encontrar um pdf dele, mas tá difícil!

  4. Eu sou psicólogo experimental e posso afirmar que o uso de animais para pesquisa em contexto aversivo é infinitamente menor do que o uso em pesquisa que não causam nenhum tipo de dor ou desconforto. Nessas pesquisas os animais podem até ser privados por 24 hrs (ratos e pombos), no entanto, já foi provado que esse tempo não gera nenhum tipo de sofrimento ou atrapalha o funcionamento do organismo. Animais não tem alimento o tempo todo disponível na natureza, fazendo com que não seja antiético não dispor de acesso livre a comida. (eles no entanto tem acesso nos períodos em que não estão participando de nenhuma pesquisa). Além disso, é realizada um pesagem diária dos animais para verificar se estão saudáveis.
    Os modelos de psicopatologias/transtornos são extremamente importantes em termos ambientais para identificar fatores externos que influenciam na ocorrência desses transtornos. Com humanos você não tem controle sobre as variáveis e consequentemente tem menos informações sobre isso. Diversos avanços foram feitos na área de saúde mental devido a pesquisas com animais. Atualmente, caso seja necessário o sofrimento animal, ele deve ser bem justificado (conselhos não costumam aprovar pesquisas desse tipo facilmente). Este sofrimento também deve ser o menor possível.

  5. Olá “Psicólogo”, por que você acha ético deixar um rato em confinamento 48 horas sem água? Muito diferente do que ocorre na natureza, a privação laboratorial é proposital, incumbida na visão de que os animais são meros instrumentos para serem usados.

    “já foi provado que esse tempo não gera nenhum tipo de sofrimento.”
    – Me mostre as provas.

    “Diversos avanços foram feitos na área de saúde mental devido a pesquisas com animais.”
    – Cite-os.

  6. Não sei se me expressei bem. 24 hrs após a privação eles passam pelo experimento onde tem acesso ao que lhes foi privado. Animais não são instrumentos, muito pelo contrário. São seres que devem ter direito respeitados.
    Legislação brasileira em relação ao tratamento ético com animais pode ser útil -> http://www.uricer.edu.br/cep/arquivos/palestras/IV_Intercep_URI.pdf
    Mesmo não sendo uma legislação nacional, também é muito comum os pesquisadores seguirem as orientações da Associação Americana de Psicologia por ser uma referência internacional. Nesse link vocês podem ter acesso aos guias recomendados. -> http://www.apa.org/monitor/jan03/animals.aspx

    Sobre as questões que fez, antecipadamente peço perdão pois nem todas as fontes são gratuitamente acessíveis.
    Minha área não é a fisiologia, mas esse ótimo artigo se revisão pode lhe elucidar algum conhecimento sobre o procedimento padrão de 24hrs de privação e como é não causa danos aos animais.
    http://www.ingentaconnect.com/content/aalas/jaalas/2000/00000039/00000006/art00003?crawler=true

    Os modelos experimentais são importantes, pois uma vez que você estabelece um modelo consistente em laboratório, você tem condições de analisar variáveis (sejam ambientais ou biológicas) que possam influenciar positivamente na melhoria do transtorno/condição.
    Lembrando que com os avanços tecnológicos, muitas pesquisas perderam a necessidade de utilizar animais, no entanto, assim como a investigação de remédios, a investigação do comportamento precisa ser realizada previamente com animais, para não impactar negativamente na vida de seres humanos (não somos especiais, mas infelizmente parte do nossa avanço em termos de saúde depende do uso de outras espécies).
    Perceba que muitos desses artigos mostram problemas com más pesquisas ou mal uso dos animais. Ninguém quer prejudicar os animais de modo desnecessário. (e quando isto for possível, animais deixaram de ser utilizados)
    Artigos para exemplificar a utilidade das pesquisas com animais na compreensão e tratamento de transtorno.
    http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1300/J069v10n01_05
    http://pepsic.bvsalud.org/pdf/pac/v2n2/v2n2a01.pdf
    https://deepblue.lib.umich.edu/bitstream/handle/2027.42/24329/0000596.pdf?sequence=1&isAllowed=y
    http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S030105110600024X
    https://www.researchgate.net/profile/Allan_Kalueff/publication/6498471_Kalueff_AV_Wheaton_M_Murphy_DL._What's_wrong_with_my_mouse_model_Advances_and_strategies_in_animal_modeling_of_anxiety_and_depression._Behav_Brain_Res_179_1-18/links/0c96052122841016cd000000.pdf
    http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0149763401000100
    http://psycnet.apa.org/journals/amp/50/7/496/
    http://www.annualreviews.org/doi/abs/10.1146/annurev.psych.48.1.339

    Obviamente se você discorda do uso de animais por possíveis danos que possam ser causados a eles (a psicologia é uma area menos preocupante nesse sentido), você pode acreditar que os avanços não justificam os meios. No entanto, a desenvolvimento humano em termos de saúde, não estaria como é hoje se não fossem as pesquisas com animais. Isso diminuiria a expectativa de vida de todos os seres humanos e lhes causaria sofrimento desnecessario ao longo da vida (como, por exemplo, psicopatologias não controladas).
    Acredito que o dialogo é importante. Espero ter contribuído com a discussão.

  7. Independente de quaisquer possíveis ganhos com a experimentação animal, não temos nenhum direito sobre a vida deles. É só fazer uma analogia e mudar o contexto do seu texto de animais não humanos para animais humanos.

    “Eu sou psicólogo experimental e posso afirmar que o uso de humanos para pesquisa em contexto aversivo é infinitamente menor do que o uso em pesquisa que não causam nenhum tipo de dor ou desconforto. Nessas pesquisas os humanos podem até ser privados por 24 hrs (crianças e idosos), no entanto, já foi provado que esse tempo não gera nenhum tipo de sofrimento ou atrapalha o funcionamento do organismo. Humanos não tem alimento o tempo todo disponível na natureza, fazendo com que não seja antiético não dispor de acesso livre a comida. (eles no entanto tem acesso nos períodos em que não estão participando de nenhuma pesquisa). Além disso, é realizada um pesagem diária das crianças para verificar se estão saudáveis.
    Os modelos de psicopatologias/transtornos são extremamente importantes em termos ambientais para identificar fatores externos que influenciam na ocorrência desses transtornos. Com adultos você não tem controle sobre as variáveis e consequentemente tem menos informações sobre isso. Diversos avanços foram feitos na área de saúde mental devido a pesquisas com crianças e idosos. Atualmente, caso seja necessário o sofrimento, ele deve ser bem justificado (conselhos não costumam aprovar pesquisas desse tipo facilmente). Este sofrimento também deve ser o menor possível.”

  8. Oi, Marcos. Você recebeu minha resposta?
    O que escrevi responde também a Jéssica no entanto não foi aprovado.
    Algum problema?
    Acredito que independentemente dos pontos de visto, é importante colocar minha resposta, para que as pessoas tenho acesso a diferentes perspectivas (incluindo a sua treplica também)
    Abraço.

  9. Sem dúvidas, o diálogo é importante. No entanto, a abolicionismo defende fundamentalmente a não exploração animal, seja ela de qual for. E essa lógica de “progresso acima de tudo” já está falida há muito tempo. Se não estivesse, ou se não houvesse NENHUM prejuízo para os animais, esses experimentos seriam feitos com humanos, e foi isso que eu tentei exemplificar quando mudei o contexto do seu comentário. Não nos cabe produzir animais para experimentação, ou qualquer outra finalidade, não nos cabe decidir seu destino, ou manipular suas vidas.
    Eu conheço toda a legislação, todas as declarações e convenções referente à experimentação animal e também sei que elas são demasiado arbitrárias, bem como sei que muita gente ainda usa essa lógica de “progresso acima de tudo”, quando se trata de animais. E eu diria que seria hipocrisia descartarmos todo o conhecimento científico produzido a partir de pesquisas experimentais com animais, ou humanos, tanto quanto é hipocrisia dizer que não se quer prejudicar animais e mesmo assim fazê-los de meros objetos.
    Não sou contra o progresso da humanidade, ou o avanço científico, muito pelo o contrário, mas ouso questionar que progresso é esse e até mesmo qual é a essa concepção de progresso que usa de exploração de animais para acontecer. Assim como questiono todo esse “progresso” que destrói o planeta. E sei que eu não sou a única a questionar essas coisas e que tem gente com muito mais propriedade para argumentar, como os próprios Matos e Tomanari, que você deve conhecer, já que é psicólogo experimental, que já questionam algumas coisa. E ainda ouso afirmar que esse apego à tradições científicas de que experimentação animal é necessária é um dos fatores que impede que a extinção desse tipo de prática. E você certamente pode encontrar muita bibliografia sobre os prejuízos de experimentos com animais e também muita coisa sobre abolicionismo e ética.
    Existem algumas coisas, como a exploração animal, que não são questão de opinião. Não existe isso de “a minha opinião é de que podemos usar os animais sim e ponto”, pelo simples fato de que algumas coisas são necessariamente maiores/melhores que outras. É impossível que explorar/torturar/usar/etc animais seja maior/melhor que não fazer nada disso. É um raciocínio muito simples e as pessoas no geral deveriam promover meios de experimentação que não envolvam animais, ao invés de defender que esse tipo de prática trás benefícios, afinal, muitos mais benefícios são alcançados com alternativas à elas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s