10 fatos que desmascaram a farsa dos Zoológicos

Zoos é um assunto controverso. Entre mitos e verdades, descubra 10 fatos que revelam as verdadeiras razões pelas quais os zoológicos e aquários existem – se você pensou “educação” ou “preservação de espécies”, é hora de rever os seus conceitos.

1. Zoológicos são lugares miseráveis para os animais

Um documentário realizado pela CAPS (Sociedade de Proteção de Animais em Cativeiro), No Place Like Home, revelou a situação dos animais que são mantidos em zoológicos.

Esse canguru morreu e foi largado apodrecendo por funcionários na Fazenda-Zoológico Tweddle, por duas semanas. Eles se recusaram a fazer uma autópsia para descobrir as causas da sua morte.

Esse canguru morreu e foi largado apodrecendo por funcionários da Fazenda-Zoológico Tweddle, por duas semanas. Eles se recusaram a fazer uma autópsia para descobrir as causas da sua morte.

Em 2010, um ativista da CAPS investigou secretamente a Fazenda-Zoológico Tweddl, filmando animais doentes e sob maus tratos. Alguns coelhos tiveram que ser retirados e levados ao veterinário, para o tratamento de infecções. Depois da denúncia, a polícia local confiscou um macaco, que era mantido sozinho e recebia bolos e junk food como alimento.

Mas será que os safáris são melhores que os jardins zoológicos “tradicionais”?

O Woburn Safari Park, localizado em Londres, mantém os leões enclausurados em pequenas celas, por cerca de 18 horas por dia. Um relatório feito pelo governo em 2010 concluiu:

“Os animais não tinham espaço suficiente e não havia áreas para alimentação individual ou para repouso. Não existia qualquer enriquecimento ambiental visível. Alguns dos leões possuíam feridas na pele e várias cicatrizes, antigas e recentes.”

No final de 2012, outro safári, West Miland, foi denunciado por realizar treinamentos de números de circo em filhotes de leões brancos. Eles foram enviados para um circo itinerante no Japão e permanecem por lá até hoje.

Um estudo financiado pelo governo, sobre elefantes nos Zoos do Reino Unidos, relevou a existência de “uma preocupação com o bem-estar dos elefantes do Reino Unido.” 75% estavam acima do peso e apenas 16% podiam andar normalmente, o restante apresentava sinais de fadiga muscular. Menos de 20% estavam livres de problemas nos pés [1].

2. Zoológicos não oferecem espaço suficiente

Zoológicos não podem fornecer o espaço adequado que os animais possuem na natureza. Isso porque algumas espécies percorrem distâncias muito maiores no próprio habitat. Tigres e leões possuem cerca de 18 mil vezes menos espaço do que teriam na natureza. Já os ursos polares, 1 milhão de vezes menos [2].

3. Animais sofrem em zoológicos

No estudo realizado no Reino Unido também foi constatado que 54% dos elefantes apresentavam problemas comportamentais anormais durante o dia. Um único elefante se comportou de forma anormal por 61% do período de 24 horas [3].

Leões em zoológicos gastam 48% de seus tempos andando lentamente, um sinal reconhecido de problemas comportamentais [4].

4. Animais morrem prematuramente em zoológicos

Os elefantes africanos vivem três vezes mais na natureza. Até mesmo os elefantes asiáticos, que vivem ameaçados pela extração de madeira, vivem mais do que no zoológico [5].

40% dos filhotes de leão morrem antes de completar um mês de idade nos zoológicos. Na natureza, porém, apenas 30% dos filhotes morrem antes dos 6 meses de idade e pelo menos 1/3 dessas mortes ocorrem devido a fatores que estão ausentes nos zoos, como a predação [6].

5. Animais extras dos zoológicos são mortos com frequência

Um estudo feito pela CAPS descobriu que pelo menos 7.500 animais – e, possivelmente, cerca de 200.000 – são considerados “excedentes” e mortos por isso.

Os animais são abatidos com frequência nos zoológicos do Reino Unido. Em 2006, por exemplo, uma matilha inteira de lobos em Highland Wildlife Park foi morta de uma só vez. Em 2005, dois filhotes de lobo e uma fêmea adulta foram mortos a tiros em Dartmoor Wildlife Park. O veterinário do zoo justificou as causas: “abate seletivo devido à superlotação […] abates de filhotes são necessários.” Em outubro de 2001, uma inspeção feita pelo DEFRA (Departamento do Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais) do Reino Unido, em Dartmoor, concluiu que “vários animais foram mortos” e armazenados em um congelador de alimentos “para a realização de taxidermia (a arte de montar ou reproduzir animais para exibição ou estudo) no futuro”.

A Associação Europeia de Zoos e Aquários (EAZA) revelou em 2007 que os zoológicos eram encorajados a matar animais indesejados, pois ocupavam “espaço” e suas existências eram “perda de tempo” [7].

Em 2010, um zoológico alemão foi processado por violar leis de bem-estar animal, depois da morte de três filhotes de tigre, porque eles não eram “puros de sangue” (eram híbridos) [8].

Em 2011, uma investigação realizada em Knowsley Safari Park constatou que o parque violava constantemente a legislação sobre o descarte de carcaças. Nas palavras de um ex-funcionário: “o abate não era feito de forma humanitária.”

6. Zoológicos possuem ligação com circos com animais

A CAPS denunciou em 2009 um zoológico do Reino Unido, membro da Biaza (Associação Britânica e Irlandesa de Zoológicos e Aquários), que criava animais para serem vendidos para circos, desde camelos até tigres.

Esses leões do West Midland Safari Park foram enviados a um treinador de circos, para aprenderem truques.

Esses leões do West Midland Safari Park foram enviados a um treinador de circos, para aprenderem truques.

O mesmo zoológico teve a denúncia de negociar a venda de animais em 2013, para um circo com animais.

7. Os animais são treinados para fazer truques

Você achava que a realização de truques é um privilégio dos circos? Engano seu. Muitos zoológicos treinam os animais, como se estivessem em circos. Aves, elefantes e leões marinhos fazem parte do show.

No Zoológico de Blackpool em 1998, Inglaterra, elefantes foram filmados sendo treinados para ficarem de pé, enquanto eram espetados com ganchos nos ombros e na cabeça.

Em 2010 constatou-se que um elefante havia sido treinado com choques elétricos no Woburn Safari Park [9].

Em 2013, incrivelmente, o Zoológico de Blackpool divulgou com orgulho a informação de que estava treinando leões marinhos filhotes para shows [10], mesmo com a declaração do governo do Reino Unido contra essas práticas: “temos que reconhecer que os animais possuem valores intrínsecos, e respeitar a sua selvageria inerente e as implicações disso na forma como os tratamos”.

8. Os animais são retirados do habitat natural

Em 2003, o governo do Reino Unido permitiu que 146 pinguins fossem capturados no Atlântico Sul (Tristão da Cunha). Os sobreviventes da viagem, que durou 7 dias de barco, foram vendidos para zoológicos da Ásia [11].

Em 2010, o Zimbabwe (país africano) tinha o desejo de capturar dois animais de cada espécie do Parque Nacional Hwange e enviá-los para zoos coreanos. Isso incluiu rinocerontes, leões, leopardos, zebras e girafas, além de dois elefantes de apenas 18 meses de idade. O plano não funcionou depois da pressão internacional.

Um estudo descobriu que 79% de todos os animais dos aquários britânicos foram capturados na natureza. 70% dos elefantes dos zoológicos europeus foram retirados do ambiente natural [12].

9. Zoológicos não preservam espécies

Os zoológicos afirmam manter animais com a justificativa de preservação da espécie ou de algum melhoramento genético. Leões, populares em zoológicos, são em grande maioria animais híbridos e de espécies desconhecidas, portanto, possuem pouco ou nenhum valor de preservação de espécie [13].

Manter um animal inteligente e complexo socialmente, como chimpanzés, não fará a menor diferença na proteção das espécies ameaçadas em extinção na natureza.

Aprisionar um animal inteligente e complexo socialmente, como chimpanzés, não fará a menor diferença na proteção das espécies ameaçadas em extinção na natureza.

David Hancock, ex-diretor do  Zoológico de Seattle, afirmou:

“É um erro comum achar que zoológicos existem para impedir a extinção de espécies ou para reintroduzi-las na natureza novamente. Na verdade, a maioria dos zoológicos não possui nenhum tipo de programa de reintrodução à natureza.” [14]

A reprodução em cativeiro é considerada por alguns cientistas como uma das razões para o declínio de uma espécie, dando “uma falsa impressão de que as espécies estão seguras, pois a destruição do habitat natural poderia, assim, continuar.” [15]

Zoológicos gastam milhões para manter animais confinados, enquanto os seus habitat naturais estão sendo destruídos e não recebem proteção alguma. Quando o Zoológico de Londres recebeu mais de 5 milhões de libras, o principal consultor do projeto Great Ape Project Survival da ONU disse que estava desconfortável com o descompasso dos gastos extravagantes em zoológicos, em relação à escassez de recursos disponíveis para a preservação de espécies ameaçadas na natureza:

“Cinco milhões de libras para três gorilas, quando ao mesmo tempo, parques nacionais vivem um massacre diário por culpa da caça. Deve ser frustrante para o diretor do parque nacional saber disso.”

Atos de preservação de pandas gigantes também envolvem medidas com mamíferos, aves, répteis e plantas [16].

Em 2013, a CAPS revelou que a proprietária do maior aquário do Reino Unido, Vida no Mar, destina menos de 3 centavos pagos por visitante para projetos de proteção in situ (conservação de plantas e animais em suas comunidades naturais).

10. Zoológicos fracassam no aspecto educacional

Um estudo feito pela CAPS sobre aquários do Reino Unido, descobriu que 41% dos animais em exposição sequer tinham informações básicas sobre as suas espécies.

Já um estudo realizado nos Estados Unidos não encontrou nenhuma evidência convincente para a alegação de que zoológicos e aquários podem promover educação, mudança de atitude com o meio ambiente ou interesse na preservação da natureza. Os autores do estudo pediram aos zoológicos que parassem de reivindicar um suposto benefício educacional, “pois essa conclusão é injustificada e potencialmente enganosa para os consumidores.” [17]

Em 2010, um estudo feito pelo governo concluiu que não existem dados confiáveis sobre a eficácia dos projetos de conversação e de educação dos jardins zoológicos.

Referências

[1] M Harris et al. The welfare, housing and husbandry of elephants in UK zoos. University of Bristol, 2008

[2] Wide roaming animals fare worst in zoo enclosures. Guardian, 2.10.03

[3] M Harris et al. The welfare, housing and husbandry of elephants in UK zoos. University of Bristol, 2008

[4] G Mason & R Clubb. Guest Editorial, International Zoo News, Vol 51, No 1 (2004)

[5] R Clubb et al. Compromised survivorship in zoo elephants. Science, Vol 322, 12.12.08

[6] G Mason & R Clubb. Guest Editorial. International Zoo News, Vol 51, No 1 (2004)

[7] Zoos kill healthy tigers for the skin trade. Sunday Times, 22.7.07

[8] Code of Ethics & Animal Welfare. World Association of Zoos and Aquariums, June 2010

[9] Woburn admits it gave bull elephant electric shocks. Sunday Times, 27.6.10

[10] Lancashire Evening Post. Blackpool Zoo’s baby sealion follows in her mother’s footsteps, 08 de junho de 2013.

[11] Taken by force. BBC Wildlife, February 2004

[12] R Clubb and G Mason. ‘A Review of the Welfare of Zoo Elephants in Europe’, RSPCA, 2002

[13] Nicholas Gould, Editorial, International Zoo News, Vol 49, No 5 (2002).

[14] Quoted in ‘Who Cares for Planet Earth?’ B Jordan, 2001

[15] Snyder et al. Limitations of Captive Breeding in Endangered Species Recovery. Conservation Biology, Pages 338-348. Volume 10, No. 2, April 1996

[16] Panda mating frenzy hits zoo. BBC News, 4 May 2007

[17] L Morino et al. Do Zoos and Aquariums Promote Attitude Change in Visitors? A Critical Evaluation of the American Zoo and Aquarium Study. Society and Animals 18 (2010) 126-138

Fonte: CAPS

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6 ideias sobre “10 fatos que desmascaram a farsa dos Zoológicos

  1. facto

    Odeio a maioria dos Zoológicos.Não sãos, em regra, meios pelos quais se possa construir um processo de formação de conhecimento ou consciência ambiental, a não ser servir de uma forma de estágio ou de trabalho a profissionais que se formam em biologia ou em outro ramo que estude a vida biológica.
    Contudo,não devemos generalizar. Há zoológicos que não só dão tratamentos bastantes saudáveis aos animais como também exercem a função de reserva ambiental, preservando espécies de animais.Por ex : os zoológicos e aquários vinculados ao projeto Tamar, financiado pelo governo federal.
    Por isso, o leitor de tal artigo deve tomar cuidado com as generalizações excessivas realizadas por ele.

  2. Marcos Autor do post

    Você esqueceu de falar que o Projeto Tamar faz ações in situ – exatamente o oposto dos zoológicos que visam o entretenimento. Colocar um animal em um zoológico ou aquário, simplesmente, não pode garantir preservação de espécie nenhuma, pois não resgata a autonomia da reprodução. O resto é papo furado.

  3. edir

    Sou totalmente contra Zoológicos, Aquários, Circos ou afins;visto que,sem exceção os animais sofrem maus tratos e são mantidos em péssimas condições e falta de assistência nas mais urgentes necessidades

  4. Thiago Melo (@animadruga)

    Mais uma evidencia que Zoologicos não ajudam na conservação das especies:

    “The zoos can’t keep their elephant populations up because they are dying twice as fast as they breed… There is no conservation about this move. These elephants will never be released; their babies will never be released. We are talking about bolstering the zoo population and nothing else.”

    http://www.csmonitor.com/Environment/2016/0208/Why-Swaziland-is-putting-18-elephants-on-a-Boeing-747?cmpid=gigya-fb

  5. Ian

    É isso é verdade minha mãe uma vez disse que os animais não foram feitos para ser aprisionados então zoológico errado

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