Zoológicos foram fundados com base em escravidão e entretenimento

Qual é a história dos zoológicos? Você pode ser contra a existência de zoológicos, mas provavelmente ainda não sabe como eles foram criados e quais eram os seus objetivos. A origem não poderia ser outra: escravidão e entretenimento.

Escravidão é injustificável em todas as suas formas.

Escravidão é injustificável em todas as suas formas.

Já é consenso de que os circos com animais são torturantes e desnecessários. Na maior parte dos estados do Brasil, a prática é proibida por lei. No entanto, os zoológicos permanecem quase que intocados nessa questão. Um dos motivos é porque eles recebem financiamentos governamentais para continuar existindo, além de gerar lucros.

No início do século XIX, no Rio de Janeiro, em 1819, D. João VI, rei do Reino Unido de Portugual, Brasil e Algarves, exigiu que a Angola começasse a enviar “um viveiro de pássaros esquisitos”. Com isso, cerca de 100 pássaros exóticos seguiam para o Brasil, juntamente com 396 escravos africanos. Em três anos, de 1819 a 1823, cerca de 762 aves vieram para o nosso país, apenas com o simples intuito de propiciar algum tipo de “diversão” ou “recreio”, aos filhos de D. João VI.

Além de pássaros, o rei dava ordens que exigiam a vinda de zebras para o Brasil. E como elas eram capturadas? Através da caça ilegal. Dois métodos eram utilizados: o laço e o fosso. No segundo, um grande buraco era feito no habitat natural das zebras – elas caíam e não conseguiam escapar, e então eram capturadas.

Vernon N. Kisling Jr., especialista em história de zoológicos, sugere que essas práticas representavam a experiência do ser humano em capturar animais pelo simples prazer de colecioná-los. Essa tradição teve início na Pré-história. Porém, com o processo de urbanização, os animais selvagens passam a ser produtos de luxo e entretenimento. Eles eram símbolos de autoridade, poder e riqueza.

O imperador Otávio Augusto, por exemplo, tinha uma coleção de 3.500 animais selvagens e domesticados – incluindo 420 tigres, 260 leões, 36 crocodilos, além de elefantes, rinocerontes e uma cobra de 20 metros. Todos eles foram retirados do ambiente natural em que viviam, apenas para a expressão de poder.

O interessante é que no início dos zoológicos para fins comercias, havia apresentações com humanos que possuíam algum tipo de anomalia física ou genética. No intuito de atrair o público e ganhar dinheiro, famílias se submetiam a essas apresentações.

Contudo, em 1789, na Revolução Francesa, uma multidão decidiu soltar os animais que faziam parte da coleção da realeza, para que a população faminta pudesse caçá-los e comê-los. Porém, os animais que não conseguiram escapar, foram transferidos para o Jardin des Plants, no intuito de estudá-los cientificamente. Essa foi a primeira tentativa de fazer com que o cativeiro tivesse o objetivo de estudo de espécie ou uma suposta preservação das mesmas.

No entanto, só em 1907 os zoológicos da Alemanha passaram por reformas, onde os animais não ficariam mais confinados em jaulas e os recintos não teriam grades. Para os cientistas, por outro lado, isso abria a possibilidade do estudo das espécies. Apesar disso, uma das principais críticas atuais ao modelo dos zoos é o excesso de animais. Nos Estados Unidos, por exemplo, cerca de 10% dos melhores zoológicos e aquários do país, produzem 8 mil animais extras que são descartados. Mesmo assim, alguns continuam argumentando que os zoológicos são necessários para a preservação de algumas espécies¹.

Apesar do argumento, o que precisa ficar claro é que privar um animal de liberdade, com o fim científico ou de entretenimento, é antiético, pois vai contra os princípios de preservação da própria vida. Ainda, é preciso questionarmos se o cativeiro pode mesmo impedir a extinção definitiva de alguma espécie, por si mesmo. Ou seja, confinar um animal em qualquer cativeiro, mantendo-o assim para o resto de sua vida, sem tomar medidas externas, daqueles que vivem no habitat natural, não é garantia de preservação de espécies.  A extinção de uma espécie inclui outras variáveis, que não podem ser negligenciadas.

O que os zoológicos podem fazer é preservar algum banco genético, mas eles não impedem a extinção na natureza, pois a autonomia de reprodução da espécie não pode ser resgatada em cativeiro. Por isso, a artificialidade dos zoológicos esconde mais uma forma de escravidão e de submissão dos animais. E a escravidão, em todas as suas formas, é injustificável.

Referências

Scientific American Brasil, Edição Especial Vida Animal, Nº 56.

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