Você faria com as próprias mãos?

Os amantes de carne costumam dizer que não existe nada de errado nas práticas de matança dos animais, para a alimentação. Isso porque, de acordo com tais indivíduos, matar para comer, na forma como vemos hoje, faz parte da natureza e do nosso instinto.

O crime por encomenda.
O crime por encomenda.

Quando nos deparamos com alguma discussão sobre o vegetarianismo, não é incomum ouvirmos: “Fala isso pro leão ou tenta chegar perto dele, você vai ver se ele irá pensar duas vezes.” Para essas pessoas, a relação de escravidão, que mantemos com diversas espécies, pode ser comparada com a relação fome, alimento e sobrevivência, que o leão possui com as suas presas. Só porque algo é natural, então fim de papo. A justificativa seria perfeita e nada mais poderíamos fazer. Porém, se analisarmos as relações dos animais, no ambiente puramente selvagem, veremos que a predação ocorre quando o animal, prestes a ser morto, possui alguma chance de sobrevivência. O que, certamente, não acontece nos matadouros e nas fazendas.

Os animais que são destinados ao abate passam uma vida inteira de sofrimento, dor e angústia. Para a indústria da carne, não interessa se eles podem sofrem ou não, ou se eles possuem o direito à vida. O que importa é matar e transformá-los em bens de consumo. Os animais de abate não são meramente um prato de comida, eles são objeto de lucro e possuem uma etiqueta de preço. Por conta disso, nos achamos no direito de submetê-los à mais pura escravidão. Filhotes são arrancados de suas mães e porcos vivem suas vidas em minúsculas celas, sem a menor possibilidade de movimentação ou liberdade. Tente comparar o que realmente ocorreria na selva e na predação natural. Uma zebra passa a vida em liberdade, ao contrário dos bois, que estão no corredor da morte de um matadouro.

Convém fazer a nobre proposta: se você quer comer carne, mate com as suas próprias mãos. Vá até uma fazenda, pegue uma faca e degole um boi, um porco ou uma galinha. Não consegue? Pagar para os outros fazerem o que você não tem coragem é o real significado da covardia. É um crime por encomenda. No entanto, embora as suas mãos não fiquem sujas de sangue, a sua moral e a sua ética são manchadas como nunca. Se vivemos em uma civilização, com ética e valores, os animais já não podem mais ser excluídos disso. Seja na alimentação, na ciência e em qualquer outro ramo que exista algo chamado cultura. A menos que você realmente queira viver na selva. Faça jus aos seus argumentos. Passe a caçar a sua própria comida.

Anúncios

27 respostas para “Você faria com as próprias mãos?”

  1. O autor do texto passa por inúmeras questões que requerem uma maior discussão no texto ao sustentar a fragilidade e incapacidade dos consumidores de carne de fazer o seu próprio sustento.Evidentemente, o que me atraiu ao presente texto não foi o que propriamente o autor queria sustentar, visto que tal questão beira ao senso comum e é extremamente falacioso, mas,sim, algumas questões que foram colocadas no texto de maneira rápida e estão implícitas no texto, tal como o direito de todos animais à vida.

    “Para a indústria da carne, não interessa se eles podem sofrem ou não, ou se eles possuem o direito à vida.”

    Ao tentar discorrer sobre o descaso objetivo da indústria pecuária com relação aos animais, o autor deixa implícito que todos os animais têm direito inerente à vida.Ora, qual seria a fonte que podemos extrair o conteúdo normativo que dá aos animais direito(absoluto) à vida?Ou seja, de onde sai esse ” direito” dos animais, pensados aqui como gênero? Posso dizer que certamente não é do direito positivo brasileiro.
    O direito brasileiro possibilita, em várias situações, a caça, a pesca e a morte de qualquer animal, independentemente de sua qualidade,(se animal silvestre( se exótico ou não) ou doméstico), dentro do que foi estabelecido na lei.
    De onde , então, o autor tiraria o direito “imanente” dos animais à vida, pensando assim na situação de que as indústrias da carne estariam cometendo uma violação a tal direito, ao transforma-los em meras mercadorias? Seria da racionalidade deslumbrante do autor do texto, que, por sua vez, é mais esclarecido do que os outros?Ou seria um direito natural previsto no evangelho bíblico do vegetarianismo?
    O problema do autor no texto é a sua tentativa esdrúxula de equiparar os animais em geral ao ser humano em todas as suas características psicológicas e emocionais.”Filhotes são arrancados de suas mães e porcos vivem suas vidas em minúsculas celas, sem a menor possibilidade de movimentação ou liberdade”. Por meio do meio de um sentimentalismo exagerado, o autor tenta , como é evidente, atribuir a animais sentimentos maternos ,afetivos e até ideológicos existente apenas entre seres humanos.Isso é um erro, visto que tenta , in abstrato, equiparar seres totalmente distintos, dotados de relações próprias e características próprias. Como é evidente, o autor do texto acaba humanizando seres que não são humanos e que, por isso, não têm e não podem ter relações humanas, que são relações sociais e históricas.
    Sustentar que animais não podem ser comparados a humanos não significa, necessariamente, impor-lhes a situações de selvageria,mas apenas de compreender que , exatamente por isso, não são tratados como seres iguais aos seres humanos.
    E, não sendo humanos e ,portanto, seres essencialmente históricos e sociais, os animais acabam não conseguindo confrontar-se como sujeitos direitos, sendo essa uma categoria jurídica ontológica e social.Por isso, os animais em geral sempre ficarão fadados a serem objetos de normas protetoras, e nunca o fundamento, a essência delas.

  2. Caro facto, o seu discurso permeia uma suposta superioridade da espécie humana em relação aos animais. Irei lhe mostrar o motivo do direito à vida não ser somente dos humanos.

    Em primeiro lugar, tal coisa de “humanização” dos bichos não existe, o que ocorre, na verdade é uma tentativa de colocar o ser humano como exclusivo e único possuidor de senciência ou consciência. Quem tenta fazer tal separação é o próprio homem. No entanto, se você olhar para a teoria da evolução de Darwin, e suas implicações com o modo como tratamos os animais, verá que a ciência pode determinar a nossa ética e a nossa moral. Assim, o que poderia de fato garantir que a ética humana não é uma mera invenção? Se vivemos em uma civilização, onde convivemos com os animais, a ética não pode ser exclusividade nossa. A própria ONU reconheceu em 1978 que todo animal possui direito à vida – não é uma invenção dos vegetarianos. E se existe algo que nos diferencia das outras espécies é justamente a institucionalidade da ética e da moral.

    O sentimento materno, em absoluto, não é exclusividade humana. Em algumas espécies de baleias, por exemplo, você encontra uma parte do sistema límbico cerebral que NÃO existe em seres humanos. O sistema límbico possui relação com as nossas emoções e sentimentos de compaixão. Você sabia que tal sistema é mais complexo nas orcas? Elas apresentam uma ligação profunda com seus filhotes, assim como os golfinhos, onde a própria ciência reconhece que eles possuem uma linguagem própria de comunicação.

    E se poderíamos falar que somos seres civilizados, nunca na sociedade atual. A Hipótese de Gaia de Lovelock, por exemplo, afirma que a Terra é um ser vivo. O homem, na sua condição atual de destruidor da natureza (por falar nisso, você já viu as estatísticas dos danos que a pecuária causa ao meio ambiente?), tem se comportado muito mais como uma bactéria, que caminha para a autodestruição, do que um animal “racional”.

    “Não existem diferenças fundamentais entre o homem e os animais nas suas capacidades de sentir prazer, dor, angústia, felicidade e miséria”. – Charles Darwin

  3. Prezado Marcos,

    O que estou trazendo ao conhecimento é que a sua tentativa de abstrair as qualidades e características próprias de seres humanos a fim de equaliza-los aos animais é um processo de abstração puramente humano e, que, no fundo, vai criar a ilusão de que tais seres distintos sejam concretamente iguais entre si, o que não é empiricamente e historicamente verdadeiro. Nesse processo de abstração das características particulares de cada ser vivo, Você acaba homogeneizando seres totalmente distintos, além de, no final deste processo, atribuir características afetivas puramente humanas ( logo, dotadas de características históricas e sociais) à seres animais que não são humanos.
    Qual é a consequência dessa abstração?É criar uma ilusão de ótica, que acaba criando a falsa ideia de que, por serem iguais, já que são seres biológicos, humanos e animais em geral devam se confrontar-se como iguais, o que é concretamente irreal. Os seres humanos, que são seres históricos e sociais, não são iguais aos animais em geral. E exatamente por não serem iguais aos animais e com a sua capacidade revolucionária de modificar os seus meios de vida e a própria realidade, os homem subjulgam as forças da natureza e se apropriam dos animais, domesticando-os ou eliminando-os, se representarem perigo (tal como pragas, por exemplo.).
    O fato de os animais em geral se submeterem às forças humanas não se trata de um mero acidente histórico, de um mero fato casual que aconteceu num certo período histórico e, por isso, deixará de existir. Mas decorre das próprias características dos seres humanos e de sua relação com a natureza. Afirmar a superioridade da humanidade não é uma suposição, mas, sim, uma verificação de um fato que é real, empiricamente e historicamente demonstrável e explica o porquê, na churrascaria, são as carnes bovinas que estão no espeto, e não a humana.
    Por fim, vou fazer uma observação: negar qualidades estritamente humanas aos animais não humanos não significa necessariamente negar que exista entre eles relações afetivas, de acordo com a especificidade de cada espécie de animal.O que se sustenta é que a relação afetiva, psicológica existente entre os grupos humanos é uma relação única existente na terra, pois se reveste e se exterioriza como uma relação social, ganhando até certa autonomia perante os indivíduos. Retirar a especificidade de tal relação humana significa ignorar a realidade .

    Sobre a declaração emanada pela UNESCO, órgão da ONU, gostaria de dizer alguns aspectos dela. “A declaração dos direitos dos animais” não é uma lei ou norma que tenha vigência no direito brasileiro ou em qualquer outro país no mundo. Trata-se mais de uma disposição normativa que serve como norte aos países signatários na construção dos direitos dos animais. Por isso, não é considerada como uma norma jurídica propriamente dita, mas, sim, como uma carta política. Se fosse jurídica, certamente não seria aplicável, por ser vaga e ter inúmeros problemas materiais, mas não preciso, no momento, relata-los.
    E a referida declaração não prevê, e não poderia o fazer, o direito dos animais à vida como um direito absoluto, visto que admite o uso dos animais à alimentação, conforme prevê o Art. 9º. Nesses termos, a até a própria indústria pecuária não estaria cometendo qualquer violação a tal declaração.
    Agora, o mesmo questionamento que fiz a Você a cerca da fonte do direito dos animais posso fazer à UNESCO. De onde tal Órgão internacional retirou o direito de todos os animais à existência? Existe algum direito inerente aos animais?De onde a racionalidade dos ambientalistas que forjaram tal declaração tiraram os supostos direitos inerentes dos animais?De um direito natural dos animais, se é que existe direito natural?
    Ah, a frase de Charles Darwim é uma mera citação desprovida de qualquer valor argumentativo.Não se constrói ou desconstrói teses com citações de frases dotadas de uma ou duas linhas.

  4. “Suponhamos então, que tracemos uma linha divisória entre o ser humano e qualquer outra espécie.”

    Essa linha divisória (abstrata) que Você supõe criar hoje já existe concretamente há mais de 50 mil anos, desde que ocorreu o desenvolvimento da espécie “homo”.E essa linha divisória começou a ganhar contornos mais nítidos quando o homo sapiens começou a produzir os seus meios próprios de vida, objetivando o seu trabalho na natureza e personificando-a!O homo sapiens atribui, em certo momento e forma social-histórica específica, sentido às coisas que propriamente não a têm.

    O homem, cuja essência é ser um animal histórico e social, atribui significado e sentido ao mundo inanimado, transforma e constrói o seu meio de vida, contrariando qualquer limitação ou imposição física da natureza. O veganismo não é um atributo natural ao ser humano, dada a sua capacidade e necessidade fisiológica de alimentação de carne e seus derivados, mas é uma prova do aspecto social e histórico da consciência humana, capaz de ir, num certo período, contra as determinações físicas e biológicas da natureza, criando valores, dando novos significados ao mundo.

    Ora, esses aspectos da consciência e autoconsciência não existem fora do ser humano. Pode se buscar semelhanças entre a cognição, ”senciência “ humana e de outros animais,mas as suas diferenças fazem surgir o absurdo abismo existente entre ambos.É exatamente na diferença que inicia-se as particularidades e especificidades que qualquer cientista não pode deixar de observar,pois, caso contrário, estará passando por cima da “essência “das coisas.

    A característica histórico-social que a consciência humana desenvolveu imprime, na objetivação de seus trabalhos e relações sociais, características próprias.A linguagem,cultura,valores, “ética” são todos fenômenos sociais e históricos decorrentes da nossa especificidade social.Diante disso, o Direito não é um processo alheio a tal característica.

    O Direito não é uma categoria alheia ao mundo histórico e social dos homens. É ele expressão máxima da própria historicidade e sociabilidade que as relações humanas adquirem num certo momento de desenvolvimento das forças produtivas e das relações de propriedade.Nesses termos, não há direito natural, ou seja, existente na natureza e, por isso, fora das relações sociais humanas.Tampouco devemos confundir e limitar a categoria social do direito ao positivo,à mera expressão corpórea da lei positivada pela figura do legislador.
    Na verdade, o direito é uma expressão ontológica e histórica de uma relação social e de propriedade específica que têm os seus condicionalismos históricos com o surgimento das trocas mercantis. O direito só surge, historicamente, quando emerge a figura do sujeito de direito e deveres, que é a figura do portador de mercadorias, de sua liberdade e da sua vontade.Nem sempre houve identidade entre o sujeito de direito e o ser humano.Os escravos africanos que vieram ao Brasil não eram sujeitos de direitos,mas,sim, meras mercadorias naquele momento histórico.

    Os escravos brasileiros só adquiriram a capacidade de sujeito de direito, ao adquirirem a autoconsciência de sua condição concreta e ao ser reconhecerem entre si e serem reconhecidos na qualidade de sujeitos de direitos.Com a universalização das trocas mercantis capitalistas e, consequentemente, universalização da figura do sujeito de direito, todo o ser humano existente passou a se reconhecer e ser reconhecido como sujeitos de direitos, como pessoas autônomas e proprietárias de si e de sua liberdade.Logo, não há mais a possibilidade atualmente do ser humano não ser sujeito de direito.

    Portanto, sendo sujeito de direito, o ser humano histórico acaba sendo uns dos núcleos das relações sociais e jurídicas. Garantir sua vida passou a ser a condição de existência de todo o sistema jurídico existente, de todas as relações jurídicas existentes.

    O ser humano tem direito inerente à vida, que não é e jamais será absoluto, não por que tem uma “alma” ou por que tem um direito natural,mas,sim,decorrente de suas características sociais e relações sociais específicas.Portanto,garantir a vida do sujeito de direito é a conditio sine qua non de todas as relações jurídicas e capitalistas existentes, podendo ser negligenciada em caráter excepcional e nas formas previstas em lei.

    O direito do meio ambiente decorre da necessidade concreta e histórica de regular e limitar a exploração do homem capitalista da natureza, evitando ,assim, a sua própria destruição.Dentro do direito ambiental, a fauna e a flora são diretamente os bens jurídicos tutelados, quando o bem jurídico indireto é toda a sociedade burguesa.Quem é o sujeito dentro de tal relação jurídica?É o homem!O objeto é o meio ambiente, pensado como meio natural, artificial, composto por fauna e flora.

    Em suma, pode se tentar equiparar ou equalizar, in abstracto, os seres humanos de outros animais. Porém, os seres humanos sempre se confrontarão e irão se impor como diferentes aos outros animais, atribuindo-lhes significados e destinos na forma que produzem e estabelecem os seus meios de vida.

    Se, diante do máximo desenvolvimento da tecnologia e das forças produtivas, a produção de carne de animais não humanos tornar-se dispensável,casual, daí poderá se dizer que criou-se os condições materiais que tornem desnecessárias o consumo de carne, podendo atribuir aos animais silvestres ou domesticados outros fins que não seja a churrasqueira.

    Por fim,superioridade biológica não é uma questão de caráter ou de alma, que são características sociais construidas socialmente por seres humanos, mas de domínio, controle.Com relação a isso, não há de se negar que o Homem, durante um longuíssimo processo histórico, controlou e controla os outros animais, atribuindo-lhes a diversas finalidades, seja a churrasqueira ou o conforto de uma casa.

  5. O que é empiricamente verdadeiro é que não existem diferenças essenciais em nosso processo de senciência e consciência. Você está me perguntando se existe algum direito inerente aos animais. Para começar que animais todos somos – por mais que você queira, nada fará com que você seja superior às outras espécies. Suponhamos então, que tracemos uma linha divisória entre o ser humano e qualquer outra espécie. Nesse momento, você teria que também encontrar algo que demonstrasse que o homem tem direito inerente à vida. No entanto, por uma perspectiva científica e biológica, a ética não pode valer apenas para a nossa espécie, uma vez que as noções de ecologia, onde uma atitude humana afeta todo o ecossistema, demonstram que não existem razões para que a ética fique apenas circunscrita em nós, como se fôssemos completamente independentes da natureza; quando na verdade, é exatamente o contrário.

    O âmbito jurídico se estabelece por bases filosóficas. A moral humana também é influenciada por fatores científicos. Por outro lado, se você observar o motivo dos cães e gatos possuírem um forte respaldo jurídico, inclusive no Brasil, verá que a socialização que eles estão passando conosco, faz com que a gente perceba as suas características e singularidades. Nós sabemos que eles sofrem. A mesma coisa vale para os outros animais. Até mesmo em um rato você encontra singularidade. Nenhum é igual ao outro.

    Se você estudar as expressões das emoções nos chimpanzés, e Darwin foi o primeiro a fazer isso na obra As Expressões das Emoções no Homem e nos Animais (1872), verá que a forma como demonstramos as nossas sensações não tem nada de especial. Você pode observar também que várias espécies apresentam comportamento de luto – chimpanzés e elefantes são apenas alguns exemplos. Por isso que a citação da frase foi apenas uma referência exemplar do pressuposto que estou defendendo – se não somos superiores aos outros animais, não temos o direito de escravizá-los.

    Agora, o que esperar de uma espécie que já escravizou seus próprios membros? Muitos acreditavam, na época da escravidão, que os brancos eram “superiores” aos negros, logo, tudo estaria justificado. A sua linha de argumento é exatamente essa. É uma linha especista, termo criado pelo psicólogo Richard D. Ryder (1970). Basicamente o que você está fazendo é uma discriminação, com base nas diferenças entre as espécies (que é óbvio que existem, pois a natureza é assim), esquecendo, contudo, das semelhanças que temos com elas.

    O fato de comermos carne não significa, em absoluto, que somos superiores aos animais não-humanos. Isso revela que temos, sim, uma crença de que somos superiores. Não confunda crendice com fato.

  6. Prezado facto, farei as minhas considerações a seguir:

    “Essa linha divisória (abstrata) que Você supõe criar hoje já existe concretamente há mais de 50 mil anos.”

    Essa linha existe? Em que lugar? Qual é a linha que prova que somos superiores aos animais? Qual é a base científica que demonstra que somos superiores às outras espécies? A própria neurociência reconhece que tal superioridade é uma ilusão.

    “Na verdade, o direito é uma expressão ontológica e histórica de uma relação social e de propriedade específica que têm os seus condicionalismos históricos com o surgimento das trocas mercantis.”

    Você só esqueceu que a nossa história biológica e social tem tudo a ver com a evolução das espécies. Se você observar o comportamento dos chimpanzés verá que eles possuem interações muito similares e idênticas às nossas, como o próprio luto, que já citei.

    “Porém, os seres humanos sempre se confrontarão e irão se impor como diferentes aos outros animais, atribuindo-lhes significados e destinos na forma que produzem e estabelecem os seus meios de vida.”

    Atribuir um significado diferente não significa atribuir direito à escravidão, como você está defendendo.

    “Se, diante do máximo desenvolvimento da tecnologia e das forças produtivas, a produção de carne de animais não humanos tornar-se dispensável [..]”

    Ela não só é dispensável como necessária para que o próprio ser humano exista, vide os danos que a pecuária vem causando ao planeta. Nós temos sim características únicas, da nossa espécie, assim como qualquer outra. Somos sim seres históricos e sociais, mas a nossa história não começou quando viramos “sapiens”. Tal tentativa, de colocar uma linha exata, como se a nossa história apenas existisse nesse momento, tornaria impossível qualquer tipo de institucionalização moral e ética, pois somos fruto da evolução biológica. Negar tudo isso é tão absurdo como dizer que Adão e Eva deram origem à espécie humana.

    Se somos mais complexos e podemos atribuir significados a coisas que não possuem um sentido inerente, isso não significa que os animais não tenham um sentido próprio de existência. Os animais não existem para o homem. O fim dos animais não é morrer para humanos. E você nunca vai encontrar uma única justificativa que prove o contrário. O ser humano é só uma fração da natureza, ele não a domina – talvez domine apenas na sua maldita ilusão.

  7. Prezado Marcos,

    Creio que Você, com todo respeito, tem uma grave dificuldade de interpretação. Isso fica evidente em vários momentos de seu discurso, como quando Você tira conclusões absurdas ou totalmente desconexas do texto que escrevi.

    “Somos sim seres históricos e sociais, mas a nossa história não começou quando viramos “sapiens”. Tal tentativa, de colocar uma linha exata, como se a nossa história apenas existisse nesse momento, tornaria impossível qualquer tipo de institucionalização moral e ética, pois somos fruto da evolução biológica”

    Em nenhum momento busquei colocar uma linha abstrata no desenvolvimento da espécie humana. Vamos observar atentamente o que eu escrevi :

    “Essa linha divisória (abstrata) que Você supõe criar hoje já existe concretamente há mais de 50 mil anos, desde que ocorreu o desenvolvimento da espécie “homo”. E essa linha divisória começou a ganhar contornos mais nítidos quando o homo sapiens começou a produzir os seus meios próprios de vida(…)”

    Como é evidente, eu lhe disse que os homens já tinham se separado de outros animais muito antes de Você criar tentar uma linha imaginária que os separaria agora.Nesses termos, a absurda diferença existente entre homens e animais não se trata de uma criação de sua mente, tampouco da minha. Não é uma mera derivação lógica, mas decorrente do desenvolvimento e transformação concreta da espécie “homo”, que, durante sua evolução, se diferenciou de outros animais, ganhando autonomia perante a própria natureza.

    Por isso, apenas disse que a diferença existente entre o homem e os outros animais ganhou ainda mais contraste a partir do surgimento do homo sapiens, que é uma espécie do gênero “homo” que fiz referencia acima. Isso significa que, logicamente, já havia diferenças concretas entre ambos antes da espécie homo sapiens.

    “Essa linha existe? Em que lugar? Qual é a linha que prova que somos superiores aos animais? Qual é a base científica que demonstra que somos superiores às outras espécies? A própria neurociência reconhece que tal superioridade é uma ilusão.”

    Novamente digo: quem se separou dos outros animais foi o ser humano. Foi o homem que, durante o seu desenvolvimento histórico e social, acabou se diferenciando dos animais. Não se trata, por isso, de um mero ato de abstração do homem contemporâneo, mas de algo real.
    A abstração que existe agora se dá ao contrário: é equiparar o homem contemporâneo a outros animais. Mas, tal equiparação não é um fenômeno concreto;Por isso, só existirá na mente dos mais radicais “vegans”.

    “Qual é a base científica que demonstra que somos superiores às outras espécies? A própria neurociência reconhece que tal superioridade é uma ilusão.”

    Ao afirmar que “a própria neurociência reconhece que tal superioridade é uma ilusão” sem indicar quais são cientistas dizem isso, Você, meu caro Marcos, comete uma falácia lógica denominada “Petitio Principi”. Você busca se refugiar numa suposta verdade que se quer foi demonstrada no âmbito da discussão, pois você acredita que o seu interlocutor, diferentemente de ti, seja ignorante no âmbito da área da neurociência.Por isso, ficaria fácil validar o seu argumento apenas sustentando que certa área de conhecimento afirma que Você está certo.Com isso, Você acaba invertendo o ônus argumentativo, fazendo com que o seu interlocutor tenha que refutar o fundamento de validade de sua tese, e não o contrário.

    “Você só esqueceu que a nossa história biológica e social tem tudo a ver com a evolução das espécies. Se você observar o comportamento dos chimpanzés verá que eles possuem interações muito similares e idênticas às nossas, como o próprio luto, que já citei.”

    O que você está querendo sustentar com isso?Que símios podem se tornar inteligentes ou seres sociais e históricos iguais ao Ser humano, por terem “interações similares e idênticas às nossas”?Acho que alguém assistiu de mais ao filme “ o planeta dos macacos”.Sério, o que teria haver o fato de eu ter supostamente me esquecido de que a história humana esteja relacionada com a “evolução das espécies” e a capacidade dos macacos de terem interações similares a nossa?

    Olhe o seu suposto raciocínio:

    (premissa superior) Homens sentem tristeza ao ver um ente familiar seu morto
    (premissa inferior) Macacos também sentem tal tristeza
    (conclusão) Logo, macacos e humanos são iguais.

    Outro silogismo absurdo que você fez durante toda a nossa conversa no presente artigo:

    (premissa superior).Os animais não humanos têm “senciência “, têm angustias e sentem dor
    (premissa inferior) Os homens têm “senciência “, têm angustias e sentem dor
    (conclusão) Logo, animais não humanos e homens são iguais e têm, por isso, direito à vida.

    Tal raciocínio se for levado a cabo, podemos chegar a outras absurdas conclusões:

    (premissa superior) Homem constrói a sua própria casa
    (premissa inferior) O pássaro João-de-Barro constrói a sua própria casa.
    (Conclusão). Logo, Homem e o pássaro João-de-Barro são iguais, pois ambos têm características comuns.

    Outro raciocínio viciado que foi empregado por ti, Marcos:

    “A pecuária destrói o meio ambiente. Logo devemos ser vegans, que se alimenta única exclusivamente de produtos produzidos pela agricultura.”

    Esse raciocínio está errado, pois não considera que também a própria agricultura destrói o meio ambiente, seja por meio de agrotóxicos ou pela destruição da mata silvestre para a formação das grandes plantações.

    Defender a agricultura como substituta da pecuária, pois essa destrói o meio ambiente, é absurda e contraditória. Vá procurar dados de quantos hectares de florestas silvestres foram derrubados para a plantação de soja e milho no Brasil, a fim de abastecer o mercado consumidor nacional ou estrangeiro.

    Por fim, a minha “maldita” ilusão seria a de que Você me entendesse. Os animais não humanos não foram criados para o homem por uma força mágica da natureza,mas acabam sendo utilizados e domesticados e, por isso, acabam ganhando significado pela modo que os homens desenvolvem o meio de vida.Sem o homem, gatos seriam apenas gatos ,mas, numa relação social específica e histórica, acabam sendo mercadorias, guardiães do lar, entidades divinas ou seres dotados de “direitos”.

    O que busco apenas é descrever a singularidade histórica e social da humanidade, e não defender uma suposta escravidão ou qualquer outra coisa.Apenas descrevi algo que já existe independentemente da minha ou sua vontade.

  8. Caro facto, o seu discurso é totalmente especista e não possui qualquer embasamento ético-moral. Não existe base científica para sua crença de que somos “superiores” aos animais. E eu entendo que você pensa assim, pois isso faz parte da nossa história social – a escravidão nunca se limitou ao homem. No passado, também achariam os mesmos argumentos que você vem dando para justificar a escravidão de negros, mulheres e homossexuais. Não vou me alongar mais, pois você está sendo repetitivo, como fez no outro artigo, da experimentação animal.

  9. Marcos,

    Sem duvida alguma, o que busco descrever não tem qualquer embasamento ético-moral previsto na bíblia do veganismo,tampouco está previsto “no sermão da montanha” de neurocientistas não especistas.Por isso, Você rejeitou os meus argumentos categoricamente: faltam-lhes o conteúdo da fé vegan.

    No presente dialogo, ficou evidente o seu fanatismo : Você não conseguiu me contra-argumentar em nenhum momento,mas apenas exteriorizar verdadeiras pérolas. Contra as minhas investidas,Você buscou se refugiar em falácias, com o intuito de denegrir a minha figura e o que escrevi, a fim de tentar falsear o que descrevi.

    A sua fé, caro Marcos, não lhe fará mover montanhas,mas irá te derrubar na sua luta pela transformação da realidade(humana),pois Você não a conhece e não se reconhece nela.Por isso, fique à vontade para patinar feio no seu trajeto utópico e místico de libertação espiritual dos humanos e outros animais pelo exercício da fé vegan.

  10. Cara, eu tento, realmente tento mas não consigo ter uma conversa decente da internet, parece que todos são retardados. Porco animal doméstico? Porco tinha uma família? A falta de proteína ou de culhões está fazendo mal para o você

  11. Marcos: adoro quando – na falta de argumentos, eles surtam…
    😀

    Mateus Psico Mantoan: Vejamos se você é de fato coerente com a sua disposição em matar e comer animais não humanos: você também mataria um cachorro pra comer num lindo jantar em família?

    “A afirmação de que podemos abater porcos, por exemplo, ao invés de cães, porque cães sofreriam mais, é enganosa e vazia, e não existem dados que sustentem essa afirmação. Todos os mamíferos são seres sencientes que compartilham a mesma arquitetura neural subjacente, e que experimentam um amplo espectro de emoções, incluindo a capacidade de sentir dor e sofrer.”

    – Mark Bekoff, Ph.D., Professor Emérito de biologia evolucionária na Universidade do Colorado.

    “…não consigo ter uma conversa decente da internet, parece que todos são retardados.”
    Então todo mundo com quem vc conversa é retardado, menos vc… Really? Qualquer pessoa sã saberia que o oposto é muito mais provável. Fica a dica.

  12. Perdão a demora, estava trabalhando para garantir a fraldinha pra fazer na churrasqueira no próximo sábado.

    Por partes,

    Não é falta de argumento, não me passaram nada para contra-argumentar

    Você continua me chamando de psicopata sem motivo para tal, e acima disso me chamando de doente (sim, psicopatia é uma doença sem cura)

    Não, não mataria um cachorro pois nós criamos os cachorros para servirem de companhia, não para o corte, inclusive tive dois adotados e sempre estou cedendo minha casa para lar temporário.

    Não interessa se uma pesquisa (uma pesquisa sem muita base) diz que porcos são mais inteligentes, nós os criamos para corte, para isso serão usados. Não sei se você sabe, mas as pessoas não vão no meio do mato para caçar um porco, eles já nascem com esse propósito, não, não estou falando que a função primordial do porco seria essa, estou dizendo que especificamente os porcos que matamos já nascem e são criados com esse objetivo, e nem que não fosse (isso apenas justifica o fato de hoje sermos mais humanos na hora de nos alimentarmos) não seria errado de maneira nenhuma.

    Imagino que alguém já deve ter falado para vocês que evoluímos até onde estamos agora por causa do nossa alimentação baseada em outros animais, e o fato mais óbvio que nem precisa de pesquisa: Existem outros animais onívoros e carnívoros, comer carne é algo natura para diversas espécies, a nossa inclusive.

    E apenas para completar, certo, me expressei mal, nem todos parecem retardados, apenas militantes de qualquer tipo

  13. “Não, não mataria um cachorro pois nós criamos os cachorros para servirem de companhia.”
    – Mais esquizofrenia moral.

    “Imagino que alguém já deve ter falado para vocês que evoluímos até onde estamos agora por causa do nossa alimentação baseada em outros animais.”
    – E onde “estamos”? Qual característica humana você define como efeito redutível ao consumo de carne? Acho bom você começar a pensar melhor, pois vai ter que provar isso que está dizendo.

    Se o simples fato de comer carne trouxesse inteligência (ou qualquer outro atributo referente à realidade psicossocial), leões estariam dando palestra.

  14. Cães também são criados com propósito de alimentação,

    E porcos também são criados com propósito de companhia.

    E mesmo que não fosse, se eu inseminasse artificialmente uma mulher e criasse o seu filho para ser um escravo, isso me daria alguma autoridade moral para fazê-lo?

    Se você não é um psicopata, é realmente um sujeito muito medíocre e ignorante…

    “A tradição é a personalidade dos imbecis.”

    – Maurice Ravel

  15. esquizofrenia moral é um termo que só é usado em textos de militantes veganos, por favor, se quiser contestar o que escrevi ARGUMENTE

    Quando digo “onde estamos” me refiro a nossa capacidade intelectual, não, leões não vão dar palestras pois são animais completamente diferentes, você fez um silogismo barato ignorando qualquer conceito científico para simplificar algo que eu disse para desmerecer meu argumento.

    Leões não vão dar palestras, mas já parou para pensar que dos primatas (que fazemos parte) o homem é aquele que mais consume carne? Não só consome mas conseguiu organizar sua alimentação unindo técnicas de agricultura e pecuária que nenhum outro animal semelhante fez?

  16. Pedro Abreu, você é um cego retardado, se quiser conversar de homem pra homem sem mimimi de internet nem referencias ridículas encontradas entre sua escória social tenta marcar um encontro comigo para debatermos de fato, já falei, sua falta de culhões está fazendo mal, Qual a maldita moral que você tem para me chamar de medíocre e ignorante?
    Você é um puto que ignora suas bases humanas e quer falar merda? Eu te desafio pra uma porrada de homem pra homem e vamos ver se a sua falta de proteína ajuda em alguma coisa.

  17. Falou o homem das cavernas…

    Não tenho motivo nenhum pra me encontrar com um imbecil medíocre e ignorante como você. Mas se está tão disposto a desafiar veganos pra um confronto físico, seguem algumas sugestões:

    Boa sorte, homem das cavernas! Você vai precisar…

  18. “Quando digo ‘onde estamos’ me refiro a nossa capacidade intelectual.”

    – Quais capacidades intelectuais? Cite cada uma delas. Você tem que provar o que está afirmando. Mas logo vou avisando: a inteligência humana não tem gênese no consumo de carne. Leia o artigo que te indiquei no outro post.

    “não, leões não vão dar palestras pois são animais completamente diferentes, você fez um silogismo barato.”

    – Na verdade você não entendeu o que eu fiz. Eu segui exatamente a sua linha de raciocínio, para você perceber o quão estúpido é colocar a nossa “humanidade” como reflexo do consumo de carne, ignorando completamente a nossa formação biopsicossocial.

    “Pedro Abreu, você é um cego retardado.”

    – Mateus, você acaba de ser banido. Pelo visto o consumo de carne não conseguiu propiciar sua sapiência, não? Você é a prova viva de que a sua alegação é absurda 😉

    Lidar com valentões da internet é tão simples… Um único clique resolve tudo.

  19. Para que trocar farpas, não é melhor Amar os animais, eles querem viver como todos nós, eles querem a liberdade, eles sentem, amam, choram, tem sede, fome, sono, e tantas coisas mais, Amar a todos é a solução dos grandes e pequenos problemas, Amor por todos acima de tudo aí sim teremos um Governo Justo e Bom…Tenho certeza…Shalom

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s