Dr. Hadwen Trust: organização pretende abolir completamente testes com animais

DHT (Dr. Hadwen Trust) é uma instituição médica do Reino Unido que pretende abolir, definitivamente, as pesquisas com animais. De acordo com os seus cientistas afiliados, o modelo animal tem sido um grande fracasso para o avanço da ciência.

O modelo animal precisa de um substitutivo mais eficaz e mais seguro.

O modelo animal precisa de um substitutivo mais eficaz e mais seguro.

No site da organização há uma série de perguntas e respostas, que demonstram o motivo da necessidade da ciência buscar modelos substitutivos, uma vez que o modelo animal tem sido um grande fracasso na descoberta de novos tratamentos e cura das doenças. É um equívoco dizer, por outro lado, que a pesquisa animal não trouxe nenhum benefício para a biomedicina, porém, na verdade, no início de tais pesquisas, não se sabia quase nada sobre o corpo humano. O sucesso no passado não significa que o modelo atual é o melhor que temos. Abaixo, você confere as perguntas frequentes, em relação ao tema¹. Todas muito esclarecedoras, revelando, muitas vezes, os erros das falácias que os defensores da pesquisa animal utilizam em seus discursos.

1) O objetivo da DHT é baseado nos 3Rs (Refinamento, Redução e Substituição)?

Não. O DHT foi fundado para promover a pesquisa médica que tem o potencial de substituir os testes com animais. Nós não financiamos pesquisas que procuram reduzir ou refinar o modelo animal. O objetivo é desenvolver técnicas substitutivas, que podem beneficiar humanos e animais.

2) Por que somente a Substituição?

Porque ela é a única que traz a inovação tecnológica, juntamente com os avanços médicos, fornecendo uma alternativa à pesquisa animal.

3) O que o DHT pretende alcançar com as suas pesquisas?

A realização de pesquisa médica sem qualquer tipo de utilização de animais vivos. O DHT considera que a excelência da pesquisa médica só poderá ser atingida através do uso de novas tecnologias.

4) Qual é o orçamento do DHT anualmente?

O orçamento pode variar a cada ano, porém, em média, investimos cerca de 500 e 750 mil euros (cerca de 2,5 milhões de reais).

5) Que tipos de animais são usados na pesquisa tradicional?

Várias espécies são utilizadas, incluindo ratos, camundongos, coelhos, mini-porcos, gatos, cães, primatas, ovelhas, aves, peixes, entre outras.

6) O que a experimentação animal envolve?

A pesquisa animal é utilizada para vários fins, mas não está limitada aos itens abaixo:

– segurança (toxicidade);

– doenças, infecções e curas;

– aplicação de substâncias irritantes em peles e olhos;

– privação de alimentos, água e sono;

– danos cerebrais;

– danos cirúrgicos;

– falência de órgãos induzida;

– modificação genética.

7) Qual é o objetivo da pesquisa animal?

Em termos gerais, os animais são usados para um possível entendimento sobre doenças, no avanço de tratamentos, já em pesquisa básica, para o entendimento do funcionamento do organismo humano. Porém, os animais também são usados para o desenvolvimento de cosméticos, produtos de limpeza, corantes, aditivos alimentares, agrotóxicos, também em farmacologia, odontologia e para o desenvolvimento de dispositivos médicos.

8) Os animais sofrem nos experimentos?

Sim, qualquer experimento em um animal vivo, precisa ser licenciado pelo governo, se tiver o potencial de causar “dor, sofrimento, angústia ou dano duradouro”.

9) Quais são as alternativas à experimentação animal?

Há uma variedade de métodos alternativos, que podem substituir os animais. Entre estes:

– cultura de células: é possível obter células humanas à partir de biópsias, autópsias, placentas, ou com resíduo de uma cirurgia, e cultivá-las em laboratório. Este método é usado com frequência pelos cientistas, possibilitando a compreensão das causas de muitas doenças. Além disso, pela cultura de células é possível avaliar o nível de toxicidade, desenvolvimento de medicamentos e para o diagnóstico e compreensão de doenças.

– métodos moleculares: as drogas podem ser desenvolvidas através da interação com o DNA. As células podem ser alteradas geneticamente, para a identificação da resposta, que tais alterações ocasionaram.

– tecnologias analíticas: método para identificação na expressão ou produção de marcadores genéticos, através da Espectrometria de Massa e do microarranjo.

– micro-organismos: testes com micro-organismos simples, como bactérias e leveduras, estão sendo usados para a identificação precoce de produtos químicos que possam ser prejudiciais.

– modelos de computador: essa é uma tecnologia cada vez mais utilizada, para a modelação da estrutura e ações de novas drogas, em modelos que simulam sistemas biológicos inteiros.

– pesquisa populacional: envolve o estudo dos hábitos de vida, de populações que possuem certas doenças, para que os seus efeitos possam ser verificados e para que as causas das doenças sejam identificadas. Além disso, é possível observar mudanças genéticas entre as pessoas, e a forma como estas respondem à drogas.

– estudo de voluntariado: essa é uma das melhores maneiras de realizar a pesquisa médica, pois envolve o estudo do ser humano completo. Com segurança e ética, a pesquisa humana é perfeitamente possível. Ela envolve métodos não invasivos, como uso de scanners e tomografias, para a compreensão do funcionamento do cérebro dos voluntários, além de estudos post mortem, onde os tecidos são retirados e utilizados em uma grande variedade de estudos.

10) Como é possível substituir o modelo de um organismo vivo inteiro em um tubo de ensaio ou em uma cultura de células?

As pesquisas que não utilizam animais, raramente os substituem de maneira exatamente igual. Ao invés disso, há o uso de uma abordagem diferente e novas técnicas. Por outro lado, quando se trata de um “animal inteiro” é um erro supor que os animais são a melhor escolha, ou que eles são necessários para resolver todos os problemas médicos. O estudo clínico, ético, com humanos, é muito mais útil e relevante do que as pesquisas com animais. Além disso, mesmo nos animais o que você busca é uma parte individual de informação, por exemplo, qual o efeito que uma droga terá no fígado, coração ou no cérebro.

11) Se não existisse pesquisa animal a biomedicina não teria avançado?

A experimentação animal faz parte da pesquisa médica, ao longo de séculos. Seria absurdo supor que tal modelo não traria nenhum tipo de avanço, especialmente nos séculos XVIII e XIX, onde a ciência sabia muito pouco sobre o funcionamento do corpo humano. No entanto, devido as diferenças entre as espécies, além das limitações preditivas da experimentação animal, muitas pesquisas com ratos, camundongos, primatas e outros animais têm produzido informações enganosas.

Quando a confiabilidade dos experimentos com animais é realizada de forma independente, boa parte fracassa quando os resultados são transferidos para a espécie humana. Da mesma forma, para algumas doenças, quase nenhum progresso vem sendo feito, ou seja, de alguma maneira, o modelo animal é um atraso para a compreensão de doenças como a esclerose múltipla, onde, por décadas, tais estudos são praticamente improdutivos.

A experiência animal é repleta de dificuldades, na sua aplicação, devido ao controle de variáveis. Técnicas sem o uso de animais se tornaram a vanguarda da pesquisa médica – além de mais baratas, são mais rápidas e mais eficazes em salvar vidas.

12) Quais tipos de pesquisa o DHT financia?

Apenas aquelas que não utilizam animais, promovendo a substituição  de procedimentos que envolvem animais, desde que sejam legítimas  e com potencial.

13) Que tipo de revisão por pares os pedidos de financiamento devem passar?

Cada pedido passa por uma avaliação independente por três pareceristas externos, muitas vezes, internacionais. Todo o processo é confidencial.

14) Qual é a importância de substituirmos o modelo animal?

A principal importância da utilização de modelos substitutivos é a evitação da dor, sofrimento e angústia. Portanto, modelos de animais sencientes devem ser substituídos por modelos sem senciência.

Não se sabe ao certo qual a linha divisória exata entre a senciência e a não-senciência animal, por isso apenas financiamos pesquisas que excluem seres que possuem qualquer tipo de possibilidade de senciência.

15) Como é possível estudar o organismo inteiro sem usar os animais?

Ele pode ser efeito através do uso de humanos, através da ética e segurança, os pacientes podem ser avaliados com neuroimagem, ultrassom, metodologia de isótopos estáveis, microdoses, microdiálise, análises genéticas e de amostras de tecido. Além disso, o organismo pode ser estudado em suas partes componentes, a nível molecular, celular ou de tecido, um exemplo disso é a previsão por ADME (absorção, distribuição, metabolismo e excreção).

16) Qual a diferença entre o DHT e as organizações tradicionais?

Poucas instituições tradicionais de pesquisa médica possuem uma agenda pró-ativa. Sem dúvida elas financiam pesquisas alternativas, porém raramente apoiam estudos que possam substituir completamente o modelo animal. Já o DHT, além de colocar um fim a tal modelo, visa promover o progresso da medicina.

17) Qual é a legislação que define a experimentação animal no Reino Unido?

A lei é denominada de Animals (Scientific Procedures) Act 1986, que abrange a Grã-Bretanha e, mais recentemente, incluiu a Diretiva 2010/63/UE do Parlamento Europeu.

18) A Grã-Bretanha possui leis sobre a pesquisa animal mais rigorosas do mundo?

A Grã-Bretanha, junto com o resto da União Europeia, adotou as práticas estabelecidas conforme a Diretiva 2010/63, porém, o DHT é a favor da época em que as leis originais, de proteção animal, da ASPA (Ato do Parlamento do Reino Unido, 1986), eram mais rigorosas do que a Diretiva.

19) As pesquisas com animais são exigidas por lei?

Não existe lei que obrigue a experimentação animal em pesquisa básica, porém, no desenvolvimento de medicamentos e produtos químicos, na Europa, nos EUA e no Japão, é exigido que as indústrias realizem uma série de pesquisas com animais.

20) Se a lei exige que a pesquisa animal seja feita no desenvolvimento de medicamentos, como o DHT pode substituir os animais completamente?

O desenvolvimento de drogas é apenas uma parte da pesquisa médica. A maior parte do investimento do DHT não é na criação de novos medicamentos, mas na busca pela compreensão das doenças humanas; suas causas, a sua progressão e recursos subjacentes que possam as ter impedido, por um diagnóstico precoce ou com um tratamento mais eficaz.

21) A legislação exige que a pesquisa animal seja substituída?

A Diretiva 2010/63/UE do Parlamento Europeu deixa claro que os países-membros devem incentivar o desenvolvimento de novas técnicas, além de exigir que métodos cientificamente satisfatórios, que reduzam os animais, devem ser adotados.

22) O governo do Reino Unido investe nos 3Rs?

Sim, há o investimento do Ministério de Alimentação e Assuntos Rurais (DEFRA) e do Ministério do Interior, bem como dos Conselhos de Pesquisa e da Indústria.

23) Quantos animais são usados em pesquisas científicas?

No Reino Unido, em 2012, mais de 4,1 milhões de procedimentos foram realizados em 4 milhões de animais. Um aumento de 8% em relação ao ano anterior. Já os números mundiais são difíceis de estimar, pois muitos países não os publicam, porém um relatório divulgado 2008, estima que em 2005 cerca de 115,3 milhões de animais foram usados na experimentação animal.

24) As estatísticas sobre as pesquisas com animais são precisas?

Assim como qualquer estatística, em relação a pesquisa animal, elas não perfeitas, por exemplo, em alguns países apenas pesquisas com mais de 12 meses são contabilizadas.

Referências

¹FAQs – DHT – Dr Hadwen Trust. Disponível em: < http://www.drhadwentrust.org/about-us/faqs > . Acesso em 19 de fevereiro de 2014.

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