Pesquisa animal, na área cardiológica, tem resultados decepcionantes

O modelo animal, na medicina, é utilizado com frequência para a descoberta de tratamento ou cura das doenças. No entanto, cientistas têm questionado a real eficácia de tais pesquisas. Nas pesquisas de fisiologia cardiológica, o modelo animal tem trazido resultados decepcionantes.

Coração
Medicamentos que funcionam em ratos, fracassam no coração humano.

Igor Efimov, engenheiro biomédico da Universidade de Washington (EUA), é um pesquisador de cardiologia. Por anos estudou doenças cardíacas; boa parte do tempo, isso foi feito em camundongos. No decorrer das suas pesquisas, ele percebeu que os resultados comemorados e, aparentemente, promissores, da pesquisa animal, não funcionavam ou eram pouco eficazes em seres humanos, devido a diferença na expressão genética entre as espécies.

Em um estudo de Efimov, em parceria com Nichols, os cientistas queriam saber se a eficácia de um medicamento, testado com sucesso em camundongos, seria reproduzida no coração humano. O resultado falhou – o efeito da droga agiu de maneira diferente no órgão humano (Fedorov et al., 2011).

“No coração humano [a droga] não funciona. A droga SUR1 nem mesmo funciona nos átrios, mas afeta os ventrículos; é o oposto do que acontece nos camundongos. A droga SUR2 afetou tanto o átrio quanto os ventrículos, e encurtou tanto os potenciais de ação nos ventrículos que poderia causar arritmias fatais em pessoas”, conta Efimov.

Ele ainda alerta que as pesquisas deveriam ser realizadas em corações humanos, antes da etapa de ensaio clínico, pois os resultados da experimentação animal têm sido desanimadores. De acordo com Efimov, este modelo não “resultou na descoberta de quase nenhuma droga bem-sucedida. Ensaios clínicos após ensaios clínicos têm terminado em fracasso.”¹

Da mesma forma que o estudo do câncer não vendo sendo eficaz, pelo modelo da pesquisa animal, outras áreas da ciência vêm revelando que precisamos desenvolver novos métodos, que dispense o uso das cobaias; por questão científicas. Oferecer prêmio para a descoberta de um método alternativo, sem investir em tais modelos, não adianta nada. É preciso de investimento pesado, porém ele apenas irá acontecer quando os cientistas reconhecerem que a metodologia atual está ultrapassada.

Referências

¹Pesquisas com animais para tratar doenças do coração são questionadas. Disponível em: < http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=cientistas-questionam-pesquisas-animais-doencas-coracao > . Acesso em 28 de janeiro de 2014.

FEDOROV, Vadim V. et al. Effects of KATP channel openers diazoxide and pinacidil in coronary-perfused atria and ventricles from failing and non-failing human hearts. Journal of molecular and cellular cardiology, v. 51, n. 2, p. 215-225, 2011. [Link]

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