Mesmo com modelo alternativo, Psicologia continua utilizando animais em universidades

Quando a Psicologia procurou se estabelecer como ciência objetiva e válida, buscou apoio nas outras áreas científicas, incluindo a Biologia. O fato de o comportamento humano ser visto como um produto mental, somente, trouxe um movimento na Psicologia que, com base na experimentação animal, confirmou e construiu hipóteses.

A ilusão da coisificação das cobaias.
A ilusão da coisificação das cobaias.

A área da Psicologia que utiliza a experimentação animal é denominada de comportamentalismo (behaviorismo). Watson, seu fundador, achava que a Psicologia jamais deveria falar de mente, sentimento ou emoção. Com o intuito de estabelecer uma ciência com fatos observáveis, o comportamento humano passou a ser compreendido através da utilização de ratos, cães ou pombas. Skinner, seu sucessor, desenvolveu uma pequena caixa, para a observação do comportamento de tais animais.

A Caixa de Skinner (imagem abaixo), como ficou conhecida, é utilizada, até hoje, nas disciplinas de comportamentalismo das universidades, pelo simples intuito da confirmação ou observação dos pressupostos já estabelecidos nas ciências psicológicas. O rato é privado de água durante 48 horas, aproximadamente. Isso é feito para que o estudante consiga realizar com sucesso o que é classificado de condicionamento operante – uma resposta moldada pelo experimentador, através de reforços (água) e aproximações sucessivas (da barra, até que seja pressionada pelo rato sem a intervenção do estudante).

Caixa de Skinner

Entretanto, já existe alternativa. Além de ser mais barata, dispensa o uso de qualquer tipo de animal. Sniffy é o programa de computador que simula a caixa. Entre as vantagens, há a possibilidade do estudante continuar o experimento em portáteis. No curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná  (PUC-PR), os alunos já utilizam o método alternativo¹.

Universidades resistem em aderir ao novo método.
Universidades resistem em aderir ao novo método.

Infelizmente, o método ainda não é adotado por todas as universidades do país. Alguns estudantes dizem que a confiança na Psicologia aumenta por culpa das aulas experimentais, pois envolve uma “vida”, ou seja, seria algo prático. Contudo, há uma contradição lógica na utilização dos ratos em Psicologia. Os psicólogos justificam o uso porque, biologicamente, eles respondem de forma semelhante aos estímulos ambientais, porém, moralmente, eles “não são como nós” – dizem.

Não há, em absoluto, qualquer qualidade, na formação do profissional da área, que seja afetada se as cobaias deixem de ser utilizadas nos cursos. O uso das cobaias na Psicologia, para fins didáticos, é uma atividade completamente ultrapassada. Por tradição, a prática, lamentavelmente, ainda é utilizada.

Referências

¹G1 – Programa de computador substitui ratos em laboratório de faculdade. Disponível em: < http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2012/09/programa-de-computador-substitui-ratos-em-laboratorio-de-faculdade.html > . Acesso em 27 de janeiro de 2014.

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2 respostas para “Mesmo com modelo alternativo, Psicologia continua utilizando animais em universidades”

  1. Ah cara. O sniff é horrivel. Tem outro software melhor, mas ainda n substitui a experiencia em si. Olha, concordo que esse experimento em si não é tão importante, mas ele serve para treinar o estudante em realizar experimentos com animais. Isso é importante pra quem é da área. A propósito, Skinner mudou essa concepção de que n se deve falar de pensamento ou sentimentos. Fora que se evita muito fazer os animais sofrerem desnecessariamente.

  2. @DiasEbraico,

    Se o Sniff é “horrível”, usar um rato vivo é pior ainda. Cada modelo tem suas vantagens e limitações. O modelo animal é carregado de sofrimento e imoralidade.

    Lembre-se de que podemos, sim, criar novos softwares mais adequados para a abordagem comportamentalista.

    Sem contar que se uma área depende da instrumentalização de outro ser para existir, deveria ser abolida e extinta completamente. Às vezes, a melhor alternativa é simplesmente não fazer o experimento. Lamentavelmente, alguns profissionais têm agido como defensores ferozes de modelos ultrapassados e que não devem ter mais espaço na ciência.

    O lugar destes indivíduos deveria ser em uma Igreja, não em uma universidade.

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